ANÚNCIOS “ESPECIAIS” EM REVISTAS LITERÁRIAS

A The New York Review of Books e a London Review of Books são as duas revistas literárias não acadêmicas mais importantes, em inglês. E são realmente muito boas.

As resenhas nem se comparam com essas de pobreza intelectual que ainda aparecem nos jornais da Pindorama (exceção para as do João Cézar de Castro e Rocha). Quem resenha nas duas revistas em inglês realmente conhece literatura ou a área científica do livro em questão. Por isso mesmo, as resenhas  – e os ensaios – são preciosos.

Na edição de 19 de fevereiro da The New York Review of Books, por exemplo, temos uma resenha excelente de Lewis Lockwood, que é Emeritus Professor of Music em Harvard e Co-Diretor do Boston University Center for Beethoven Research. Ele faz a resenha do livro “Beethoven for a Later Age: Living with the String Quartets”, de Edward Dusinberre, que é o atual primeiro violino do Tákaks Quartet. É uma resenha que aborda desde os vários gêneros e subgêneros de livros sobre músicos para fazer uma análise detalhada da obra de Dusinberre, sobre a importância dos quartetos de corda na obra de Beethoven.

Steven Weinberg, que é Prêmio Nobel de Física e ensina na Texas University em Austin, publica um ensaio intitulado “The Trouble with Quantun Mechanics” que eu realmente não li, porque com certeza não iria entender necas de pitibiricas. A lista dos articulistas inclui J. M. Coetzee, Amartya Sem (que, junto com Eric Maskin, publica um ensaio sobre o sistema eleitoral da gringolândia e a necessidade urgente de modifica-lo). Timothy Garton Ash e mais outros, em um timaço de articulistas.

Pois bem, fui lendo os artigos e resenhas que me interessavam e, no final, estava dando uma olhada na seção de cartas (os debates entre articulistas/resenhistas e leitores às vezes são ferrenhos e igualmente interessantes – não há espaço para palpiteiros), quando meu olhar se desvia ao notar um anúncio colorido sobre… Feronomos.

Isso mesmo, essa suposta droga que aumenta a atração das pessoas do sexo oposto por quem aplica o tal “perfume”. Isso aqui?, me perguntei.

Bom, pode ser que algum professor vetusto estivesse interessado em alguma orientanda que não lhe dava mais bola que a atenção intelectual, ou vice-versa. (O negócio parece que funciona para os dois sexos, mas não há menção se funciona para os que são atraídos – e eventualmente frustrados – por pessoas do mesmo sexo).

Diante do anúncio, resolvi dar uma olhada nos menorzinhos, tipo daqueles que aparecem nos classificados dos jornais.

Olhem só os pequenos anúncios:

“A Coisa Certa” – encontros com colegas e professores das faculdades de elite, de Stanford e de outras excelentes faculdades”; “Deixe que eu exploda sua mente, sua zona erógena final. Conversas provocadoras com uma beleza culta. Sem limites”; “Erótica Sagrada… com Zeus”; “Sexy Italian. Permita que uma italiana sensual e ardente leve-o para seu mundo de massagens sensuais”; “Boa aparência, bons livros. Mulher bonita quer compartilhar suas pilhas de livros com homem educado (supõe-se que mais que alfabetizado…) e amoroso. Com mais de 70 anos”; “Mulher ativa e fisicamente disposta, de 73 anos, da Carolina do Norte. Escritora, educadora, com sentido de humor e estilo procura mulher do mesmo tipo”.

E mais: clube de encontros, bela e atraente mulher de origem chinesa e malaia procura cavalheiro que a faça desistir de sua lista irreal de exigências para marido – e mora em Singapura… Afinal, o mercado é internacional e global.

O caso é que o mundo literário e acadêmico parece estar carente de algumas coisas, e sempre há quem ofereça seus préstimos (pagos, é claro).

Deve ser o que chamam por aí de livre mercado. Detalhe: a revista se encarrega de encaminhar as respostas para quem prefere não publicar o e-mail. É tudo muito discreto mesmo (embora quem faça a distribuição das respostas possa se divertir bastante).

Caraca!

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