O ESTADÚNCULO E SEUS DILEMAS

O Estadúnculo e seu labirinto.

Há dias atrás criei coragem de vez e cancelei a assinatura do Estadúnculo, que mantinha há décadas. Não estava mais disposto a pagar para começar meu dia com o fígado inchado com a leitura das mentiras, distorções, colunistas idiotamente tendenciosos ou cretinos (nem nomeio, mas vocês sabem quem). E note-se que meu primeiro emprego em jornal foi precisamente em sua sucursal de Brasília, há quase cinquenta anos.
Cancelei. E disse para a pessoa com quem falei cancelando a assinatura, que não estava disposto a assinar um jornal tendencioso, reacionário, quando não pura e simplesmente mentiroso, que distorcia as notícias, e que fazia um nariz de cera pútrido antes de cada matéria. Era demais para meu estômago, minha paciência e meu fígado.
A moça parece que ficou atônita, mas agora sei que anotou conscienciosamente minhas razões para o cancelamento da assinatura.
Pois hoje recebi um telefonema deveras curioso.
Era uma pessoa de vendas do Estadão, mas não era uma dessas robotizadas atendentes de telemarketing. Começou dizendo que sabia das razões pelas quais eu havia cancelado a assinatura, e que a equipe de vendas do estadúnculo havia recebido “vários” cancelamentos de assinatura com esses motivos e solicitou uma reunião com o chefe da redação do jornal para conversar sobre o assunto.
Pelo visto a coisa começou a doer no órgão mais sensível do pasquim da Av. Caetano Álvares: o bolso.
Perguntei: Com o Fernão Lara Mesquita?

A moça responde: Não, ele não é o chefe da redação.
– Pode não ser de direito, mas é de fato, pois essa porcaria de jornal reflete as baboseiras e cretinices desse sujeito que frequenta manifestações de extrema direita bebendo champanhe.
Ela engoliu em seco, não perdeu a pose e continuou a conversa. Realmente não era uma máquina de declamar o receituário padrão.
– Não – respondeu – ponderamos com a chefia de redação e as coisas estão mudando. O senhor não notou, nos últimos dias?
– Se mudou, não notei. Vocês continuam puxando o saco do Bolsonaro e talvez estejam com medo que ele realmente cumpra as promessas e corte a verba publicitária de vocês, da Globo e dos outros jornalões que o ajudaram a se eleger. Mas ele passou por cima de vocês com a campanha de falsificações na Internet e está pouco somando para o puxa-saquismo .
– Não, o jornal está mesmo mudando, e não queremos perder um assinante de tanto tempo. Estamos oferecendo uma assinatura para os fins de semana. É barata, e assim o senhor poderá acompanhar as mudanças do jornal.
– Quer dizer, esperar que algum colunista fale alguma coisa contra o cretino e vocês demitam, como fizeram com aquela moça, a Ruth Manus, que fala sobre o cotidiano e uma vez apenas mencionou de passagem os absurdos do miquinho? Não, obrigado. Prefiro ler El País, The New York Times, a BBC e sites que noticiam sem puxar o saco desse sujeito.
Ela ainda insistiu um pouco, mas recusei a oferta e me despedi.
Fiquei com a pulga atrás da orelha.
Primeiro, colocam uma pessoa que sabia argumentar (notei um certo tom de resignação na voz dela), mas a moça manteve a calma e continuou sem se perturbar.
Segundo, nem sei se é verdade essa história do pessoal de vendas pressionar a redação, mas não me comoveu.
Quero é que se fodam

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