TRÊS FILMES DE JOHN FORD – E OUTROS COMENTÁRIOS, POR UM EX-CINECLUBISTA

Nos últimos dias assisti a três filmes do grande John Ford.

O cara foi bom demais. Versátil, preciso, grande diretor de atores. E faz algum tempo vi o documentário que ele fez durante a II Guerra Mundial, quando trabalhou para o projeto de Frank Capra de mobilização da população dos EUA contra o nazismo: The Battle of Midway. A história desse documentário, assim como dos filmes dirigidos por cinco grandes diretores dos EUA envolvidos no esforço de guerra foi objeto de uma produção em cinco partes, da Netflix, no qual os diretores Steven Spielberg (Wyler), Francis Ford Coppola (Huston), Guillermo del Toro (Capra), Paul Greengrass (Ford), e Lawrence Kasdan (Stevens) discutem o impacto e o legado dos cinco diretores nesse momento.

Vinhas da Ira, com Henry Fonda

Antes da guerra dirigiu, entre outros, dois magníficos filmes que estão entre suas obras ditas “sociais”. O primeiro (1940) foi Grapes of Wrath – As vinhas da Ira, baseado no romance de John Steinbeck, retrata a saga dos fazendeiros pobres do meio oeste expulsos pelos bancos, que tomaram suas terras; o segundo, How Green was My Valley (1941), defende abertamente o sindicalismo, retratando as lutas dos mineiros de carvão galeses, no começo do século XIX. Este último tem um lado um tanto piegas, com Walter Pidgeon no papel de um pastor que sacrifica sua paixão pela Maureen O’Hara “por não querer submetê-la às vicissitudes de sua vida difícil de pastor”. Fora isso, belo filme, com a reconstrução de uma aldeia galesa lá na Califórnia, já que filmar na Inglaterra se tornava muito difícil por conta dos bombardeios nazistas. Esses dois filmes lhe deram o Oscar de Melhor Diretor e de Melhor Filme. Aliás, o Oscar de 1942 foi para William Wyler pelo excepcional Mrs. Miniver (também com Walter Pidgeon.

Como era Verde Meu Vale – Walter Pidgeon e Maureen O’Hara

Maureen O’Hara estrelou novamente o belíssimo The Quiet Man – Depois do Vendaval,

Depois do Vendaval, com John Wayne e Maureen O’Hara

o terceiro filme que assisti recentemente, no qual a ruiva contracena com um dos atores essenciais da carreira de Ford, John Wayne. Aliás, em outro filme de Ford, They Were Expendable, de 1945, com Wayne e Robert Montgomery, Ford sutilmente fez uma desfeita a John Wayne, que não serviu na II Guerra Mundial. Wayne e Montgomery são comandantes de um esquadrão de barcos contratorpedeiros (PT Boats), nas Filipinas. Em uma cena, quando os dois se despedem do almirante que comandava a área, Wayne faz continência para o almirante, que respondeu antes a Montgomery mas não responde à continência de Wayne. Sutil, mas mostrava um certo desprezo por Wayne não ter sido combatente (o que não o impediu de fazer outros filmes com o ator, inclusive o clássico The Searchers – Rastros de Ódio).

The Quiet Man – Depois do Vendaval é um file lírico e idealista sobre a vida na Irlanda, e rendeu mais um Oscar a Ford, além de ter sido a maior bilheteria de 1952.

Rever esses filmes é sempre uma experiência interessante, já que são bem representativos de uma época em que Hollywood produzia também filmes para adultos, e não apenas blockbusters para adolescentes.

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