BUROCRACIA E FALTA DE BOM SENSO NA ADMINISTRAÇÃO TUCANA DA SAÚDE

Sexta-feira passada tentei, com minha mulher, fazer a vacinação para gripe, parte da Campanha Nacional de vacinação (e que recebe para isso recursos do mal-falado SUS, através do Ministério da Saúde). A USB em que geralmente faço isso, ao lado da Escola de Saúde Pública da USP, na Av. Dr. Arnaldo, estava fechada. Enforcaram o feriado. O posto do Hospital Emílio Ribas também.

Isso já é um absurdo. Qual a razão para “enforcar” uma sexta-feira se não a de justificar preguiça, má administração e falta de controle da Secretaria Estadual de Saúde, com certeza conivente com isso, ao também dar uma injustificada “folga” para seus funcionários.

Convenhamos. Sou totalmente favorável a que os servidores públicos recebam salários dignos e tenham boas condições de trabalho. É uma luta com a qual sou integralmente solidário.

Mas não sou solidário com esse tipo de distorção. Que, aliás, não é a única que acontece no serviço de saúde do Estado de S. Paulo, há vinte anos administrado pela tucanagem, que vive se vangloriando de ter administração “moderna” e voltada para o serviço da população.

Meuzovo!

CAPS - Nos feriados e fins de semanas os pacientes NÃO precisam de atenção psico-social.

CAPS – Nos feriados e fins de semanas os pacientes NÃO precisam de atenção psico-social.

Já citei o fato da CAPS – Centro de Assistência Psico-Social que funciona aqui atrás do MASP, na esquina das ruas Carlos Comenale e Itapeva não funcionar nos fins de semana. De segunda a sexta-feira, os pacientes que se beneficiam do tratamento sem internação (resultado do amplo movimento antimanicomial) vão para lá, são medicados, almoçam e recebem apoio terapêutico e ocupacional.

Mas sábado e domingo são declarados sãos e aptos a dispensar do tratamento.

O resultado, visível, é que os mais pobres, sem ter onde ir, ficam mendigando pelas redondezas, dormindo na porta da fechada CAPS.

Serviço público de qualidade, meuzovo!

Na quarta-feira, dia 10 de junho, fui fazer mais uma tentativa de ser vacinado contra a gripe na UBS da Dr. Arnaldo.

Qual minha surpresa quando o vigilante me informa que todas as quartas feiras a UBS é fechada ao público para “reunião de coordenação”!

Na UBS ao lado da Faculdade de Saúde Pública, toda quarta-feira não se atendem os usuários: estão "coordenando" o não-atendimento.

Na UBS ao lado da Faculdade de Saúde Pública, toda quarta-feira não se atendem os usuários: estão “coordenando” o não-atendimento.

Solto uns berros ali, protestando, e peço desculpas ao vigia. Ele não tem nada com isso e está cumprindo sua função de vigilar, que nem é a de informar os incautos que chegam. Mas o xingamento é escutado por uma funcionária (de jaleco branco, ou seja, médica, enfermeira ou atendente), que deixou de ser coordenada para pitar seu cigarrinho fora do prédio. Consegui vacinar no Emílio Ribas.

Mas essa história de “reunião de coordenação” todas as quartas-feiras (segundo o vigia) merece observações.

Não é preciso haver cursado administração (e, se o chefe da UBS for médico, pode até ter faltado o curso de administração hospitalar ou administração de saúde, se é que as elitistas faculdades de medicina oferecem isso) para saber que as ATIVIDADES MEIO não podem ser pretexto para prejudicar as ATIVIDADES FIM.

Ora, reuniões de coordenação e administração são ATIVIDADES MEIO para que a unidade funcione melhor para cumprir sua ATIVIDADE FIM, que é ATENDER AO PÚBLICO.

Um administrador com meio centímetro de massa cinzenta divide as equipes para fazer reuniões e passar orientações (caso seja imprescindível fazer reuniões para isso, pois muitas vezes basta a supervisão direta), de modo que haja sempre funcionamento da ATIVIDADE FIM.

Se o chefe da tal UBS aproveita todas as quartas-feiras para fazer reuniões tão grandes que prejudicam o atendimento ao público, isso pode ser facilmente diagnosticado:

1) O CHEFE DA USB É UM ADMINISTRADOR INCOMPETENTE, BUROCRATA NO PIOR SENTIDO DA PALAVRA;

2) A SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE S. PAULO NÃO TÊM MECANISMOS DE SUPERVISÃO PARA EVITAR IDIOTICES DESSE GÊNERO;

Perdemos a oportunidade de eleger um administrador que já havia provado sua dedicação às questões da saúde pública, voltado para atendimento da população, principalmente dos mais pobres. Em vez de eleger o Alexandre Padilha, os paulistanos deram mais quatro anos para o Picolé de Xuxu da Opus Dei, o tal Alckmin.

E pagamos todos com a educação e a saúde em frangalhos, bebendo esgoto “filtrado” e outros belos exemplos da INCOMPETÊNCIA TUCANA PARA ADMINISTRAR.

 

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