O “BOQUINHA” FICOU TRISTINHO

Carlos Fernando de Lima, de triste atuação nos episódios do Banestado, recebeu enorme espaço no Estadúnculo, já reproduzida por todo o espectro da PIG, para dizer que “ficou triste” com o depoimento de Lula por este afirmar que a decisão de comprar cotas na Bancoop havia sito de D. Marisa Letícia.

Outros internautas acusaram também as declarações de Lula como sendo “machistas”.

Nunca tive relações pessoais com o Presidente Lula. Mas conheço muita gente que já trabalhou em administrações petistas e no movimento sindical, e mais recentemente no Instituto Lula. E algo que todos sempre comentam, como coisa natural, é que D. Marisa cuidava pessoalmente das finanças do casal. O que, para mim, em vez de machismo, denota simplesmente enorme respeito e a autonomia que ela desfrutava.

E mais, colocava ordem na casa. Lembro de uma entrevista há muito tempo, quando o Lula ainda estava no sindicato, na qual ele contava que lavava ele próprio suas cuecas e meias, em casa e em viagens, “Porque a Marisa dizia que não faria isso, e que cada um lavasse sua roupa íntima”.

Infelizmente não sei onde li essa entrevista. Não tenho a síndrome do João Condé, que arquivava tudo, e nem mesmo a do Humberto Werneck, que segue os passos do dono dos “Arquivos Implacáveis”. Oxalá tivesse! Lembro perfeitamente da entrevista, acho que era numa dessas revistas de variedade, mas não guardei.

Outra coisa esquecida com frequência é que as cooperativas habitacionais de sindicatos, especialmente de bancários, sempre foram uma atividade recorrente, e permitiram a aquisição de casa própria para muita gente. Em S. Paulo existem vários conjuntos habitacionais conhecidos como “dos bancários”. Um deles, por exemplo, em Pinheiros.
Adquirir cotas de apartamentos nessas cooperativas, desse modo, sempre foi algo muito apreciado.

Não quero nem entrar aqui nas razões dos problemas que atingiram o Bancoop. Mas rio muito pensando na imagem de D. Marisa chegando para o Presidente (em 2005) e perguntando: “Benhê, posso comprar uma cota no edifício que o Sindicato dos Bancários está construindo no Guarujá?”

Quanto à fama obscura e complicada do “Boquinha”, matéria da IstoÉ, de 2003, (era outra revista, sem parentesco real com o atual pasquim semanal) é ilustrativa. Amaury Ribeiro Jr. e Osmar Freitas Jr foram os autores. Osmar atualmente é o correspondente da Revista Brasileiros em N. York. Amaury Ribeiro Jr. É jornalista investigativo e autor de “A Privataria Tucana”.

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