{"id":903,"date":"2020-01-10T12:23:21","date_gmt":"2020-01-10T15:23:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=903"},"modified":"2020-01-10T12:23:30","modified_gmt":"2020-01-10T15:23:30","slug":"richard-jewell-o-filme-do-clint-eastwood","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=903","title":{"rendered":"Richard Jewell &#8211; O filme do Clint Eastwood"},"content":{"rendered":"\n<p>In\u00e1cio Ara\u00fajo, cr\u00edtico de cinema e estimado amigo, publicou dois posts sobre o filme do Clint Eastwood.<\/p>\n\n\n\n<p>Mandei a ele um coment\u00e1rio, que reproduzo abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"436\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/hamm.jpg?resize=640%2C436\" alt=\"\" class=\"wp-image-904\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/hamm.jpg?w=1000 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/hamm.jpg?resize=300%2C205 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/hamm.jpg?resize=768%2C524 768w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption>O agente do FBI do filme, inspirando a atitude do Dalagnol.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Prezado In\u00e1cio,<\/p>\n\n\n\n<p>Fomos assistir hoje o \u201cRichard Jewell\u201d. Tanto por sermos\nadmiradores do Clint Eastwood, como ator e diretor, como por seus elogios ao\nfilme.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, um bel\u00edssimo espet\u00e1culo cinematogr\u00e1fico. Eastwood pega um espet\u00e1culo em que um z\u00e9 ningu\u00e9m se v\u00ea catapultado subitamente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de her\u00f3i, e tr\u00eas dias depois ser enxovalhado e passar por um calv\u00e1rio de quase tr\u00eas meses. E que personagem \u00e9 o tal Jewell. \u00c9 o patriotismo mais rastaquera, e uma postura que chega a ser bordeline paranoica e fascistoide. \u00c9 a \u201clei e a ordem\u201d praticamente encarnada.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme mostra como um sujeito desses subitamente se v\u00ea\nenredado em uma situa\u00e7\u00e3o quase insustent\u00e1vel precisamente porque \u00e9 um defensor\nda lei e da ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que um \u201cdireitista\u201d, Clint Eastwood \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o de\num extremado individualismo. O indiv\u00edduo enfrenta e resolve os problemas com\nque se defronta, apelando inclusive para o vigilantismo. O filme vai at\u00e9 uma\nposi\u00e7\u00e3o extrema: n\u00e3o confie em hip\u00f3tese nenhuma nos agentes do Estado. Quando o\npobre Jewell assume uma posi\u00e7\u00e3o de querer estar dentro do aparato estatal, se\nferra.<\/p>\n\n\n\n<p>E Clint Eastwood deixa claro: corpora\u00e7\u00f5es, m\u00eddia, pol\u00edcia\n(especialmente a federal&#8230;.) s\u00e3o simplesmente express\u00f5es do big state,\nopressoras do indiv\u00edduo. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 Jewell ser um loser, e sim como o\nEstado o esmaga. S\u00f3 quando, espica\u00e7ado pelo advogado, ele reage como indiv\u00edduo\n\u00e9 que consegue sua reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 um lapso fugaz de revolta, j\u00e1 que finalmente ele\nconsegue voltar a ser policial, e pode-se imaginar, pelas cenas do come\u00e7o do\nfilme, o qu\u00e3o atrabili\u00e1rio e violento ele pode ser, na \u201cdefesa da lei e da\nordem.\u201dWe don\u2019t want mikeymousing around\u201d, \u00e9 a mensagem do reitor que ele tenta\naplicar literalmente, l\u00e1 na universidade e que tamb\u00e9m \u00e9 o que move suas a\u00e7\u00f5es\ndurante os espet\u00e1culos de abertura da Olimp\u00edada. E ele filosofa sobre o\neventual resultado de sua puni\u00e7\u00e3o, lembrando que outros seguran\u00e7as, no futuro,\nv\u00e3o sair de perto quando perceberem uma amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O naturalismo cinematogr\u00e1fico de Eastwood o obriga a mostrar\nas contradi\u00e7\u00f5es da postura individualista: fa\u00e7a o que quiser, mas dentro da lei\ne da ordem, mas aguente as consequ\u00eancias, porque isso n\u00e3o \u00e9 garantia de nada\ndiante do poder impessoal e atrabili\u00e1rio do Estado. O advogado se esfor\u00e7a para\nlembrar que os agentes \u201cn\u00e3o s\u00e3o o Governo\u201d, apenas uns \u201cmiser\u00e1veis empregados\u201d,\nmas Jewell volta e meia relapsa e se coloca na posi\u00e7\u00e3o abstrusa de querer ser o\nque o est\u00e1 oprimindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fant\u00e1stica tamb\u00e9m \u00e9 a cena final, quando o personagem do\nagente do FBI entrega a carta exonerando Jewell das acusa\u00e7\u00f5es, mas cuspindo\n\u201cAcredito firmemente que seu cliente \u00e9 o culpado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Descobrimos, finalmente, pelo menos uma inspira\u00e7\u00e3o do\nDalagnol (e do Moro, \u00e9 claro): \u201cN\u00e3o tenho provas, mas tenho convic\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 por a\u00ed que o filme faz uma intersec\u00e7\u00e3o e fecha com o\ntrumpismo. Acho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In\u00e1cio Ara\u00fajo, cr\u00edtico de cinema e estimado amigo, publicou dois posts sobre o filme do Clint Eastwood. 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