{"id":851,"date":"2019-08-08T11:44:12","date_gmt":"2019-08-08T14:44:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=851"},"modified":"2019-08-08T12:09:34","modified_gmt":"2019-08-08T15:09:34","slug":"estou-me-guardando-para-quando-o-carnaval-chegar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=851","title":{"rendered":"\u201cESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR\u201d"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"306\" height=\"165\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-6.jpg?resize=306%2C165\" alt=\"\" class=\"wp-image-856\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-6.jpg?w=306 306w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-6.jpg?resize=300%2C162 300w\" sizes=\"(max-width: 306px) 100vw, 306px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O mote da can\u00e7\u00e3o do Chico Buarque \u00e9 o t\u00edtulo de um belo e interessante document\u00e1rio de Marcelo Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor come\u00e7a o filme lembrando que, quando crian\u00e7a, foi\na Toritama, cidade do agreste pernambucano, acompanhando o pai, fiscal de\nrendas na \u00e9poca. Uma cidadezinha quieta, sonolenta, centro de um povoado de criadores\nde gado caprino. O munic\u00edpio est\u00e1 na margem esquerda do Capibaribe e faz divisa\ncom Caruaru.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o do documentarista volta \u00e0 cidade, quarenta anos\ndepois, o cen\u00e1rio \u00e9 completamente diferente. A cidade se tornou a \u201ccapital do\njeans\u201d \u2013 os outdoors na abertura do filme s\u00e3o fant\u00e1sticos, todos fotografados\ncom cara de sul-maravilha \u2013 e produz cerca de 20% desse produto. S\u00e3o\naproximadamente 20 milh\u00f5es de jeans por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Informa o diretor-narrador que praticamente tudo \u00e9 produzido nas \u201cfac\u00e7\u00f5es\u201d (os linguistas que expliquem essa modifica\u00e7\u00e3o do verbo confeccionar), fabriquetas de fundo de cozinha-garagem-sala dos moradores locais que, al\u00e9m do mais, s\u00e3o donos das m\u00e1quinas de cortar e costurar. Ao que parece algumas m\u00e1quinas maiores, com as de estampagem \u201ca laser\u201d prestam servi\u00e7os para outras. Entretanto o que se v\u00ea e escuta no filme \u00e9 o incessante barulho das m\u00e1quinas de costura e das cortadoras de pano. A cidade trabalha todos os dias, o ano inteiro. S\u00f3 para na semana do carnaval quando a maioria dos moradores vai para alguma praia. Os domingos s\u00e3o para levar a produ\u00e7\u00e3o para a feira, onde tudo aquilo se escoa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"290\" height=\"174\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-1.jpg?resize=290%2C174\" alt=\"\" class=\"wp-image-857\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Algumas cenas logo no in\u00edcio do filme mostram pessoas transportando montanhas de jeans em motos, bicicletas ou carrinhos de m\u00e3o. Ao ver aquilo, minha sensa\u00e7\u00e3o era de que a tela mostrava uma quase obscenidade. Como era poss\u00edvel transportar tamanha carga de pano em motos e bicicletas (os carrinhos ainda eram mais lotados)? Tudo jogado depois nos galp\u00f5es, misturados com gatos e galinhas dom\u00e9sticos e meninos brincando no meio da confus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio mostrava parte do cotidiano de Toritama.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"275\" height=\"183\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-4.jpg?resize=275%2C183\" alt=\"\" class=\"wp-image-861\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os entrevistados do filme \u2013 homens, mulheres, jovens e\nvelhos \u2013 quase unanimemente declaram que \u201cgostam\u201d do que fazem. Sobretudo,\nenfatizam que \u201ccontrolam seu tempo de trabalho\u201d: quanto mais trabalham mais\nganham.<\/p>\n\n\n\n<p>O controle do tempo de trabalho come\u00e7a como uma ilus\u00e3o\nt\u00edpica de uma economia camponesa, aut\u00f4noma, na qual apenas a natureza pode\nimpor ritmos, e que leva \u00e0 ilus\u00e3o de uma autonomia plena. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso,\ncomo veremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u201ccontrole do tempo\u201d em Toritama resulta em jornadas de\nat\u00e9 dezoito horas de trabalho, incluindo o domingo na feira, para um rendimento\naproximado de R$ 2.000,00, segundo a conta e demonstra\u00e7\u00e3o de uma entrevistada,\nque ganhava dez centavos por cada pe\u00e7a que produzia. A \u201csatisfa\u00e7\u00e3o\u201d expressada\npelos entrevistados se resumia nessa possibilidade de trabalhar mais e ganhar\nmais. <\/p>\n\n\n\n<p>Apenas dois dos entrevistados do filme contestam isso. Um vaqueiro, visto levando seu rebanho de cabras e bodes em busca de pasto. Ele levanta um pano vermelho quando vai atravessar a rodovia, \u201donde de vez em quando perde um dos animais\u201d. Este se declara campon\u00eas, gostar do que faz e n\u00e3o querer saber dessa hist\u00f3ria de \u201cganhar mais dinheiro como esse pessoal das fac\u00e7\u00f5es que s\u00f3 pensa em ganhar\u201d. Outro, que parece ser trabalhador assalariado, com carteira assinada, reflete que o emprego lhe permite \u201cpensar no futuro\u201d e se aposentar, embora ganhe menos que nas fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"306\" height=\"164\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-3.jpg?resize=306%2C164\" alt=\"\" class=\"wp-image-859\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-3.jpg?w=306 306w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-3.jpg?resize=300%2C161 300w\" sizes=\"(max-width: 306px) 100vw, 306px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um segmento interessante foi quando se entrevistou o dono de\numa loja da cidade, especializada em compra e venda de usados. Nos dias que\nantecedem ao carnaval aparece de tudo na loja: geladeiras, liquidificadores,\ntelevis\u00f5es e tamb\u00e9m algumas dessas m\u00e1quinas de trabalho (m\u00e1quinas e costura e de\ncorte). Segundo o dono, aquilo tudo \u00e9 vendido pelo pessoal da cidade para ter\ndinheiro para ir para a praia durante o carnaval. Na volta, diz ele, as mesmas\npessoas, em grande medida, \u201crecompram\u201d a presta\u00e7\u00f5es quilo que venderam antes.\nNa verdade, a loja \u00e9 um sistema de penhor e microcr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>A comercializa\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as n\u00e3o \u00e9 aprofundada no filme,\napenas com a men\u00e7\u00e3o de que na feira \u00e9 preciso \u201cdescarregar tudo\u201d. N\u00e3o se\ninforma se h\u00e1 encomendas, como \u00e9 adquirida a mat\u00e9ria-prima, etc. A feira,\nali\u00e1s, \u00e9 impressionante. Nada a ver com as feiras tradicionais j\u00e1 estudadas por\nantrop\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o filme coloca e documenta somente o lado da produ\u00e7\u00e3o. Ou seja, o trabalho. Que \u00e9 remunerado por pe\u00e7as, e o document\u00e1rio n\u00e3o adentra nas etapas pr\u00e9vias da produ\u00e7\u00e3o (aquisi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima, m\u00e1quinas e equipamentos) e da circula\u00e7\u00e3o dos jeans produzidos (presen\u00e7a de atacadistas, encomendas pr\u00e9vias, etc.). N\u00e3o entra na domesticidade dos moradores da cidade, de suas casas s\u00f3 aparece a face \u201cp\u00fablica\u201d, voltada ao trabalho, ainda que com a intrus\u00e3o de galinhas e meninos ranhentos circulando. Menciono isso lembrando que n\u00e3o se trata de um document\u00e1rio sociol\u00f3gico ou econ\u00f4mico. O document\u00e1rio est\u00e1 focado naquele momento de trabalho insano dos toritamenses, o que n\u00e3o diminui em nada a beleza do filme.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"275\" height=\"183\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-2.jpg?resize=275%2C183\" alt=\"\" class=\"wp-image-860\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas foram os aspectos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos do que\n\u00e9 documentado, e que se pode inferir do filme, o que mais chamou minha aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que os trabalhadores declarem que, em sua maioria, s\u00e3o\nos donos das m\u00e1quinas em que trabalham (adquiridas com economias e poupan\u00e7as de\noutras formas de trabalho, ou talvez a cr\u00e9dito, na compra de usados), o que se\nv\u00ea na realidade \u00e9 sal\u00e1rio por pe\u00e7as. Eles s\u00e3o donos das m\u00e1quinas de partes do\nprocesso produtivo, mas o dono das fac\u00e7\u00f5es \u00e9 quem recebe a produ\u00e7\u00e3o e paga os\nsal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro volume d\u2019O Capital, Marx trata do sal\u00e1rio por\npe\u00e7as, comparando-o ao sal\u00e1rio por tempo de trabalho. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo a qualidade e a intensidade do trabalho s\u00e3o\ncontroladas aqui pela pr\u00f3pria forma do sal\u00e1rio, [por pe\u00e7as] esta torna grande\nparte da supervis\u00e3o do trabalho sup\u00e9rflua. Ela constitui, por isso, a base\ntanto do moderno trabalho domiciliar anteriormente descrito como de um sistema\nhierarquicamente organizado de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. [&#8230;] O sal\u00e1rio por pe\u00e7as\nfacilita (&#8230;) a interposi\u00e7\u00e3o de parasitas entre o capitalista e o trabalhador\nassalariado\u201d (Cita\u00e7\u00f5es extra\u00eddas da edi\u00e7\u00e3o brasileira do livro, da cole\u00e7\u00e3o\nPensadores, Ed. Abril, tradu\u00e7\u00e3o de R\u00e9gis Barbosa e Fl\u00e1vio R. Kothe), p. 141).<\/p>\n\n\n\n<p>E mais adiante, ainda na mesma p\u00e1gina: \u201cDado o sal\u00e1rio por\npe\u00e7a, \u00e9 naturalmente do interesse pessoal do trabalhador aplicar sua for\u00e7a do\ntrabalho o mais intensamente poss\u00edvel, o que facilita ao capitalista elevar o\ngrau normal de intensidade. Do mesmo modo, \u00e9 interesse pessoal do trabalhador\nprolongar a jornada de trabalho, pois com isso sobe seu sal\u00e1rio di\u00e1rio ou\nsemanal\u201d (pag. 141).<\/p>\n\n\n\n<p>O prolongamento da jornada de trabalho \u00e9 mitificada e oculta pela ilus\u00e3o de que cada um daqueles trabalhadores \u00e9 dono do seu meio de produ\u00e7\u00e3o, as m\u00e1quinas. Na verdade, cada um deles \u00e9 pe\u00e7a de um processo muito mais amplo no qual o cortador ganha uma parte al\u00edquota do valor total da pe\u00e7a, assim como, sucessivamente, a costureira, o que faz z\u00edper ou caseado, etc. Mas se mostram felizes \u201cpor ter trabalho\u201d. E uma comenta: \u201cOlhe s\u00f3 aqueles pobres da \u00c1frica. Toritama \u00e9 o para\u00edso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"232\" height=\"217\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/toritama-5-1.jpg?resize=232%2C217\" alt=\"\" class=\"wp-image-863\" data-recalc-dims=\"1\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O sal\u00e1rio de cada um daqueles trabalhadores est\u00e1, de fato,\ncondicionado a fatores econ\u00f4micos e sociais muito mais amplo que a sua parcela\nde trabalho. No entanto, \u00e9 real o fato de que \u201cquanto mais trabalha, mais\nganha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o da apar\u00eancia \u2013 outro nome que se d\u00e1 \u00e0 ideologia\n\u2013 aparece com mais vigor no Volume III d\u2019O Capital, infelizmente pouco lido e\nmenos ainda compreendido. Maria Jos\u00e9 Silveira, a partir de um curso\/semin\u00e1rio\nno mestrado de Ci\u00eancias Pol\u00edticas na USP, cujo tema foi a leitura do Livro 3 de\n\u201cO Capital\u201d, de Karl Marx, coordenado pelo Prof. Jos\u00e9 de Souza Martins,\nproduziu um trabalho intitulado \u201cA Produ\u00e7\u00e3o da Ideias\u201d, no qual mostra como\nMarx trabalha essa quest\u00e3o. Nas conclus\u00f5es, a autora assinala que \u201ccomo a\nprodu\u00e7\u00e3o das ideias \u00e9 um processo que, ao se manifestar e desdobrar, dissimula\nenquanto revela, a grande quest\u00e3o na an\u00e1lise do processo ideol\u00f3gico \u00e9\njustamente perceber quais s\u00e3o os momentos da produ\u00e7\u00e3o desse processo: s\u00f3 assim\nser\u00e1 poss\u00edvel reconstruir a totalidade no pensamento, colocando em seus devidos\nlugares a apar\u00eancia e a ess\u00eancia, descobrindo o invis\u00edvel por de tr\u00e1s do\nvis\u00edvel. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel explicar n\u00e3o apenas o que estava escondido, mas\ntamb\u00e9m o que era aparente, agora j\u00e1 n\u00e3o mais confundido com o todo, mas\nentendido em sua verdadeira dimens\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ilus\u00e3o de que o trabalhador de Toritama \u00e9 \u201cdono de seu\ntempo\u201d esconde, assim, uma realidade muito mais complexa, que n\u00e3o \u00e9 objeto do\ndocument\u00e1rio, \u00e9 claro, nem tira dele sua beleza e sua for\u00e7a. \u00c9 uma \u201cilus\u00e3o\nverdadeira\u201d que oculta o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto existem conclus\u00f5es de ordem pol\u00edtica e ideol\u00f3gica\nque precisam ser compreendidas. <\/p>\n\n\n\n<p>No processo de discuss\u00e3o sobre a reforma da Previd\u00eancia, por\nexemplo, foram claramente enfatizadas as perdas que os trabalhadores ter\u00e3o com\nsua aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os trabalhadores de Toritama, entretanto, isso n\u00e3o deve\nsurtir nenhum efeito, pois sua ilus\u00e3o desvincula totalmente seu trabalho da\nquest\u00e3o dos direitos sociais e trabalhistas. \u201cQuanto mais trabalho, mais ganho\u201d\n\u00e9 uma verdade, portanto. E que continuar\u00e1 sendo cren\u00e7a para aqueles\ntrabalhadores at\u00e9 que alguma crise, geral ou espec\u00edfica da ind\u00fastria de\nconfec\u00e7\u00f5es, obrigue-os a trabalhar muito mais para receber cada vez menos.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio mostra como a \u201cuberiza\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 ultrapassou em\nmuito a \u00e1rea dos servi\u00e7os e est\u00e1 entrando em cheio na produ\u00e7\u00e3o industrial,\nexatamente pelos segmentos que usam mais m\u00e3o-de-obra e menos equipamentos, ou\nseja, capital fixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo n\u00e3o vai parar. Os profissionais, sabemos, h\u00e1\nmuito prestam servi\u00e7os como \u201cPJs\u201d, abdicando (ou sendo for\u00e7ados) dos direitos\nsociais e trabalhistas com o pretexto de uma remunera\u00e7\u00e3o maior. \u201cPejotiza\u00e7\u00e3o \u00e9\no nome classe m\u00e9dia para \u201cuberiza\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u201cdonos do tempo\u201d de Toritama est\u00e3o na mesma posi\u00e7\u00e3o que\nos motoqueiros (tamb\u00e9m donos de seu instrumento de trabalho) que cada vez mais\nse matam correndo de um lado para o outro nas grandes cidades, assim como todos\nos que prestam servi\u00e7os como \u201cPJs\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias pol\u00edticas disso tudo est\u00e3o a\u00ed, inclusive na\ndesmobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na luta por seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso enquanto esperam o carnaval chegar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"580\" height=\"300\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dicas-para-Motociclistas-no-Tr\u00e2nsito-7.jpg?resize=580%2C300\" alt=\"\" class=\"wp-image-864\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dicas-para-Motociclistas-no-Tr\u00e2nsito-7.jpg?w=580 580w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dicas-para-Motociclistas-no-Tr\u00e2nsito-7.jpg?resize=300%2C155 300w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption>Tecel\u00f5es em Toritama, motoqueiros em S. Paulo &#8211; todos &#8220;uberizados&#8221;<\/figcaption><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mote da can\u00e7\u00e3o do Chico Buarque \u00e9 o t\u00edtulo de um belo e interessante document\u00e1rio de Marcelo Gomes. 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