{"id":632,"date":"2016-08-30T22:30:21","date_gmt":"2016-08-31T01:30:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=632"},"modified":"2016-08-30T22:30:21","modified_gmt":"2016-08-31T01:30:21","slug":"castro-alves-chora-janainas-e-cunhas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=632","title":{"rendered":"CASTRO ALVES CHORA JANA\u00cdNAS E CUNHAS"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-633 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Castro_Alves03.jpg?resize=217%2C300\" alt=\"Castro_Alves03\" width=\"217\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Castro_Alves03.jpg?resize=217%2C300 217w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Castro_Alves03.jpg?resize=768%2C1064 768w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Castro_Alves03.jpg?resize=739%2C1024 739w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Castro_Alves03.jpg?w=934 934w\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" data-recalc-dims=\"1\" \/>\u00a0Estava eu, sonolento ap\u00f3s levar a surra mental do sodal\u00edcio reunido quando, em um ectoplasma radioso, p\u00f5e-se diante de mim o Poeta Libert\u00e1rio,\u00a0<\/strong><strong>chorando.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diz-me, voz embargada que, do et\u00e9reo vira, gente que dizia representar sua alma mater, Uma harpia e um careca de olhar esgar\u00e7o vomitarem tudo que negava a alma da velha casa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pediu-me, tremendo, que abandonasse por um instante meu esp\u00edrito materialista,<\/strong><\/p>\n<p><strong>E transcrevesse, ainda impolidas, o que do peito lhe brotava, lembrando sua saga antiescravista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E tascou o que eu, m\u00e3o tr\u00eamula, copiei:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h2><em>Deus! \u00f3 Deus! onde est\u00e1s que n\u00e3o respondes?<\/em><\/h2>\n<h2><em>Em que mundo, em qu&#8217;estrela tu t&#8217;escondes<\/em><\/h2>\n<h2><em>Embu\u00e7ado numa Jana\u00edna?<\/em><\/h2>\n<h2><em>H\u00e1 dois mil anos te mandei meu grito,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Que embalde desde ent\u00e3o corre o infinito&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Onde est\u00e1s, Senhor Deus?&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Qual Prometeu tu me amarraste um dia<\/em><\/h2>\n<h2><em>Do deserto na Cunha penedia<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Cem mil pastores, dizem<\/em><\/h2>\n<h2><em>Evang\u00e9licos que s\u00e3o<\/em><\/h2>\n<h2><em>Em contas nos altos Alpes mamam<\/em><\/h2>\n<h2><em>E do teu filho Jesus.com s\u00e3o<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u2014 Infinito: gal\u00e9! &#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Por abutre \u2014 me deste o sol seco do Planalto,<\/em><\/h2>\n<h2><em>E o Congresso do Brasil \u2014 foi a corrente<\/em><\/h2>\n<h2><em>Que me ligaste ao p\u00e9&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Da mulher louca e caprichosa,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Insana e cortes\u00e3.<\/em><\/h2>\n<h2><em>Do rosto o esgar mostra;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Dos cabelos medusas assanha,<\/em><\/h2>\n<h2><em>No glorioso af\u00e3! &#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Sempre a l\u00e1urea lhe cabe no lit\u00edgio&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>Ora uma c&#8217;roa, ora o barrete fr\u00edgio<\/em><\/h2>\n<h2><em>Enflora-lhe a cerviz.<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Idiotas ap\u00f3s ela \u2014 loucos amantes<\/em><\/h2>\n<h2><em>Seguem cativo o passo delirante<\/em><\/h2>\n<h2><em>Da grande meretriz.<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Nem veem que o deserto \u00e9 meu sud\u00e1rio,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Que o sil\u00eancio campeia solit\u00e1rio<\/em><\/h2>\n<h2><em>Por sobre o peito meu.<\/em><\/h2>\n<h2><em>L\u00e1 no solo onde o cardo apenas medra<\/em><\/h2>\n<h2><em>Boceja a Esfinge colossal de pedra<\/em><\/h2>\n<h2><em>Fitando o morno c\u00e9u.\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>N\u00e3o basta inda de dor, \u00f3 Deus terr\u00edvel?!<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00c9, pois, teu peito eterno, inexaur\u00edvel<\/em><\/h2>\n<h2><em>De vingan\u00e7a e rancor?&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>E que \u00e9 que fiz, Senhor? que torvo crime<\/em><\/h2>\n<h2><em>Eu cometi jamais que assim me oprime<\/em><\/h2>\n<h2><em>Teu gl\u00e1dio vingador?!<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Jesus.com! embalde morreste sobre um monte<\/em><\/h2>\n<h2><em>Teu sangue n\u00e3o lavou de minha fronte<\/em><\/h2>\n<h2><em>A mancha original.<\/em><\/h2>\n<h2><em>Ainda hoje s\u00e3o, por fado adverso,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Meus filhos \u2014 alim\u00e1ria do universo,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Eu \u2014 pasto universal&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Hoje em meu sangue a hipocrisia se nutre<\/em><\/h2>\n<h2><em>Condor que transformara-se em abutre,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Ave da escravid\u00e3o,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Ela juntou-se \u00e0s mais&#8230; irm\u00e3 traidora<\/em><\/h2>\n<h2><em>Qual de Jos\u00e9 os vis irm\u00e3os outrora<\/em><\/h2>\n<h2><em>Venderam seu irm\u00e3o.<\/em><\/h2>\n<h2><em>\u00a0<\/em><\/h2>\n<h2><em>Basta, Senhor!\u00a0 De teu potente bra\u00e7o<\/em><\/h2>\n<h2><em>Role atrav\u00e9s dos astros e do espa\u00e7o<\/em><\/h2>\n<h2><em>H\u00e1 dois mil anos eu solu\u00e7o um grito&#8230;<\/em><\/h2>\n<h2><em>escuta o brado meu l\u00e1 no infinito,<\/em><\/h2>\n<h2><em>Meu Deus! Senhor, meu Deus!!&#8230;<\/em><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Estava eu, sonolento ap\u00f3s levar a surra mental do sodal\u00edcio reunido quando, em um ectoplasma radioso, p\u00f5e-se diante de mim o Poeta Libert\u00e1rio,\u00a0chorando. 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