{"id":599,"date":"2016-04-30T20:55:39","date_gmt":"2016-04-30T23:55:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=599"},"modified":"2016-04-30T20:55:39","modified_gmt":"2016-04-30T23:55:39","slug":"ivan-lessa-e-o-nosso-bananao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=599","title":{"rendered":"IVAN LESSA E O NOSSO BANAN\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_601\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-601\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-601\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capturar.jpg?resize=289%2C588\" alt=\"Quem diria: carioca, mas nascido em S. Paulo. Um Banan\u00e3o pro bairrismo...\" width=\"289\" height=\"588\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capturar.jpg?w=289 289w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capturar.jpg?resize=147%2C300 147w\" sizes=\"(max-width: 289px) 100vw, 289px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p id=\"caption-attachment-601\" class=\"wp-caption-text\">Quem diria: carioca, mas nascido em S. Paulo. Um Banan\u00e3o pro bairrismo&#8230;<\/p><\/div>\n<p>Nos \u00faltimos dias andei lembrando muito do Ivan Lessa. Principalmente do modo como ele se referia ao Brasil: Banan\u00e3o.<\/p>\n<p>O Banan\u00e3o \u00e9 uma rep\u00fablica de bananas superlativa. Tudo \u00e9 mais exagerado no Banan\u00e3o. Os defeitos e as virtudes \u2013 quase nunca explicitadas, mas implicitamente reconhecidas, talvez em uma imagem nost\u00e1lgica do Brasil dos anos 50\/60, mais especificamente do Rio de Janeiro nessa \u00e9poca.<\/p>\n<p>O Banan\u00e3o \u00e9 complicado. At\u00e9 porque, quando descascado e com a casca ao ch\u00e3o, algu\u00e9m sempre corre o risco de pisar na dita e desabar. Pois, como dizia seu conterr\u00e2neo e contempor\u00e2neo, Tom Jobim, o \u201cBrasil (Banan\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 para principiantes\u201d (A frase \u00e9 do Tom, plagiada por um metido a sabe-tudo no t\u00edtulo de um livro).<\/p>\n<p>Pois bem, a quadra em que vivemos \u00e9 uma reitera\u00e7\u00e3o das frases do Ivan, que as produzia por puro e simples desfastio dada\u00edsta. Quando se constroem frases como as dele, n\u00e3o \u00e9 preciso ter nenhuma inten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: a frase \u00e9 a pol\u00edtica. Como agora, contradit\u00f3ria, ir\u00f4nica \u2013 mais bem, sarc\u00e1stica \u2013 e \u00e0s vezes at\u00e9 compungida, como quem lembra da piada na qual a Divindade, cobrada pelos anjos por criar uma terra sem furac\u00f5es, vulc\u00f5es, terremotos, maremotos e outros quetais, responde: \u201cVoc\u00eas v\u00e3o ver o povinho que vou jogar l\u00e1!\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 para entrar na Horta da Luzia \u2013 essa express\u00e3o an\u00e1rquica de mem\u00f3ria \u2013 \u201cerudi\u00e7\u00e3o de abobrinhas\u201d, como disse uma vez o S\u00e9rgio Augusto, v\u00e3o l\u00e1 algumas frases do Ivan:<\/p>\n<div id=\"attachment_602\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-602\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-602\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pasquim_400x400.jpg?resize=400%2C400\" alt=\"Sig, cria\u00e7\u00e3o do Jaguar e batizado pelo Lessa.\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pasquim_400x400.jpg?w=400 400w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pasquim_400x400.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/pasquim_400x400.jpg?resize=300%2C300 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><p id=\"caption-attachment-602\" class=\"wp-caption-text\">Sig, cria\u00e7\u00e3o do Jaguar e batizado pelo Lessa.<\/p><\/div>\n<p><em> Se voc\u00ea juntar mis\u00e9ria e catolicismo, s\u00f3 pode dar besteira.<\/em> \u2013 <strong>Bingo<\/strong><\/p>\n<p><em>O passado, ao menos, fica l\u00e1 no canto dele, envolto em sombras, rindo seu riso velhaco, debochando de n\u00f3s, dos nossos sonhos e das nossas aspira\u00e7\u00f5es, da nossa quebra\u00e7\u00e3o geral de caras.<br \/>\nUma profecia \u00e9 uma borboleta voando adoidada pelo ar. Um fato \u00e9 uma bala zunindo em nossa dire\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Toda not\u00edcia \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, falsa. Ou farsa. Por a\u00ed.<\/em><\/p>\n<p><em>As pessoas que se acham por cima da carne-seca correm o risco de ser confundidas com ab\u00f3boras.<\/em><\/p>\n<p><em>Nosso jornalismo? Piorou muito. Como quase tudo o mais. At\u00e9 o xarope de groselha j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo. <\/em><strong>Ergo: o jornalismo por aqui anda pior que xarope de groselha.<\/strong><\/p>\n<p><em>A cada quinze anos o Brasil esquece o que aconteceu nos \u00faltimos quinze anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Nada do que \u00e9 irrazoavelmente desumano nos \u00e9 estranho. Pegamos intimidade com o inusitado.<\/em><\/p>\n<p><em>Banana: fruta empregada para demonstrar \u00e0s crian\u00e7as do col\u00e9gio prim\u00e1rio como colocar no membro uma camisinha.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OU<\/strong><br \/>\n<em>Como tudo mais, o futuro \u00e9 uma inc\u00f3gnita. E s\u00f3 ao dem\u00f4nio pertence.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<strong>FINALMENTE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<em>N\u00e3o h\u00e1 motivo para nos sentirmos \u00e0 vontade no mundo. Os alien\u00edgenas somos n\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<em>Agora, eu vou levantar, vou sair por aquela porta e n\u00e3o vou olhar para tr\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<strong>Finis<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias andei lembrando muito do Ivan Lessa. Principalmente do modo como ele se referia ao Brasil: Banan\u00e3o. O Banan\u00e3o \u00e9 uma rep\u00fablica de bananas superlativa. Tudo \u00e9 mais exagerado no Banan\u00e3o. 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