{"id":510,"date":"2015-08-22T19:48:26","date_gmt":"2015-08-22T22:48:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=510"},"modified":"2015-08-22T19:48:26","modified_gmt":"2015-08-22T22:48:26","slug":"micangas-o-troco-que-os-indios-dao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=510","title":{"rendered":"MI\u00c7ANGAS, O TROCO QUE OS \u00cdNDIOS D\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>O texto do Bessa, logo abaixo, sobre a exposi\u00e7\u00e3o no Museu do \u00cdndio do Rio de Janeiro que apresenta trabalhos de artistas ind\u00edgenas com essas continhas perfuradas, t\u00e3o menosprezadas, lan\u00e7a um olhar significativo sobre as trocas feitas h\u00e1 s\u00e9culos entre os colonizadores europeus e as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, n\u00e3o apenas nas Am\u00e9ricas, como antes na \u00c1frica e logo em seguida na Oceania.<\/p>\n<p>As mi\u00e7angas s\u00e3o tamb\u00e9m uma met\u00e1fora das trocas entre europeus e os povos das civiliza\u00e7\u00f5es que eram para eles desconhecidas. A troca de objetos se reveste de significados muito complexos e tem consequ\u00eancias que podem ser tr\u00e1gicas. A s\u00fabita introdu\u00e7\u00e3o de objetos de a\u00e7o entre as popula\u00e7\u00f5es americanas, por exemplo, machados e facas, teve consequ\u00eancias important\u00edssimas. Ao mesmo tempo que aumentou exponencialmente a produtividade do trabalho \u2013 obviamente \u00e9 mais f\u00e1cil abater uma \u00e1rvore com um machado de a\u00e7o que com um de pedra \u2013 trouxe disrup\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais com consequ\u00eancias geralmente tr\u00e1gicas. \u00c9 um assunto amplamente estudado n\u00e3o apenas pelos antrop\u00f3logos, como pelos historiadores em geral.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o sobre mi\u00e7angas lan\u00e7a uma luz sobre outro aspecto dessas trocas: a ressifignica\u00e7\u00e3o dos objetos trocados. Bessa cita a observa\u00e7\u00e3o de Colombo, que classifica os \u00edndios como idiotas por trocarem as mi\u00e7angas por ouro, para mostrar como essas pecinhas t\u00e3o \u201csem valor\u201d para os europeus tinham outro significado para os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia, como quase sempre, \u00e9 que o \u201cvalor econ\u00f4mico\u201d recobre e esmaga as trocas simb\u00f3licas entre as culturas, com as consequ\u00eancias tr\u00e1gicas que conhecemos. Nem por isso, entretanto, deixam de ser retrabalhadas, ressignificadas e revalorizadas nessa troca que, ainda desigual, n\u00e3o pode ser vista como unilateral.<\/p>\n<p>Tomara que eu consiga ir ao Rio enquanto a exposi\u00e7\u00e3o estiver montada.<\/p>\n<p>Bab\u00e1 com a palavra.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1158');\"  href=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1158\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-511 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/taqui1.jpg?resize=640%2C269\" alt=\"taqui\" width=\"640\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/taqui1.jpg?w=779 779w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/taqui1.jpg?resize=300%2C126 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;A\u00ed est\u00e1 a mi\u00e7anga que n\u00f3s chamamos de samura. Est\u00e1 certo que \u00e9 o branco que fabrica, mas quando chega na m\u00e3o do \u00edndio ela vai se transformando. Ent\u00e3o, na medida que a mulher vai trabalhando, enfiando a mi\u00e7anga, ela j\u00e1 est\u00e1 enfiando o conhecimento dela dentro da mi\u00e7anga&#8221; (Jo\u00e3o Tiriy\u00f3).<\/em><\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-2.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-512\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-2.jpg?resize=300%2C207\" alt=\"sala expo 2\" width=\"300\" height=\"207\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-2.jpg?resize=300%2C207 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-2.jpg?w=754 754w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0Parece at\u00e9 que foi encomendado. O vento forte e a chuva de granizo que caiu nesta quarta-feira (19), no Rio de Janeiro, perfumou o Museu do \u00cdndio com cheiro de terra molhada durante a abertura da mega-exposi\u00e7\u00e3o &#8220;No caminho da mi\u00e7anga &#8211; um mundo que se faz de contas&#8221;. O Museu estava at\u00e9 o tucupi de gente. Tinha gente saindo pelo Cunha. Cerca de 500 pessoas se acotovelavam para ver os conhecimentos enfiados pelas mulheres ind\u00edgenas dentro de 700 pe\u00e7as de rara beleza confeccionadas com mi\u00e7angas coloridas, al\u00e9m de fotos, filmes, hipertextos e instala\u00e7\u00f5es multim\u00eddia.<\/p>\n<p>\u00cdndios, antrop\u00f3logos, muse\u00f3logos, historiadores, linguistas, professores e estudantes percorreram, de olhos esbugalhados, os sete ambientes do espa\u00e7o expositivo &#8211; Viagem, Mito, Encontro, Troca, Brilho, Ritual, Encanto e Mergulho. A exposi\u00e7\u00e3o, que tem como curadora a antrop\u00f3loga Els Lagrou, conta com a parceria da UNESCO e da UFRJ. Foram cinco anos de trabalheira de artistas ind\u00edgenas de 24 etnias, de pesquisadores do Programa de Documenta\u00e7\u00e3o de L\u00ednguas e Culturas Ind\u00edgenas (PROGDOC) e da equipe do Museu do \u00cdndio. Mas a Exposi\u00e7\u00e3o, enfim, foi inaugurada.<\/p>\n<p><strong>Mulheres ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p>Na abertura, o diretor do Museu, Jos\u00e9 Carlos Levinho homenageou <em>&#8220;as maiores detentoras do conhecimento sobre o manuseio das mi\u00e7angas: as mulheres ind\u00edgenas, ex\u00edmias artes\u00e3s dessa arte complexa e fascinante, que com as m\u00e3os, as linhas, as contas e as cores tecem verdadeiras obras primas, registros fundamentais da hist\u00f3ria e cosmologia de seus povos&#8221;<\/em>. <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-Elsie-Yone-Simone-Indias.png');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-Elsie-Yone-Simone-Indias.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-514\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-Elsie-Yone-Simone-Indias.png?resize=300%2C227\" alt=\"Mi\u00e7anga Elsie, Yone, Simone, Indias\" width=\"300\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-Elsie-Yone-Simone-Indias.png?resize=300%2C227 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-Elsie-Yone-Simone-Indias.png?w=689 689w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0Citou nominalmente cada uma das artistas Guarani, Ye&#8217;kuana, Marubo, Karaj\u00e1, Krah\u00f4, Kayap\u00f3, Kaxinaw\u00e1 e Maxakali, que no final de semana mostram ao p\u00fablico t\u00e9cnicas usadas na confec\u00e7\u00e3o de objetos com mi\u00e7anga.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o, que contou na abertura com a presen\u00e7a do atual e do ex-presidente da Funai, Jo\u00e3o Pedro e M\u00e1rcio Meira, \u00e9 intercontinental. Ao lado das obras de arte elaboradas no Brasil est\u00e3o outras confeccionadas por 18 povos da \u00c1frica, da \u00c1sia e de diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica, que permitem contar a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica da mi\u00e7anga e sua viagem pelo mundo.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica, ela chegou no Caribe, em 1492, trazida pela primeira vez por Cristov\u00e3o Colombo e depois como carga obrigat\u00f3ria dos barcos que aqui aportavam. Os povos amer\u00edndios, que j\u00e1 confeccionavam colares, pulseiras, cintos, peitorais, tangas, bra\u00e7adeiras, braceletes, tipoias e cocares com sementes, dentes de animais, conchas, coquinhos, ossos, casco de tartaruga, ficaram t\u00e3o encantados com as mi\u00e7angas, que davam qualquer coisa por elas. Cristov\u00e3o Colombo registra o fato em seu di\u00e1rio e chama os \u00edndios de ot\u00e1rios e bestas, porque davam ouro em troca de vidro.<\/p>\n<p>&#8211; Besta e ot\u00e1rio era o Colombo, que n\u00e3o compreendeu que os valores s\u00e3o convencionais, que <strong>o ouro em si<\/strong> n\u00e3o \u00e9 mais precioso do que <strong>o vidro em si<\/strong>, o valor do ouro no sistema de troca mercantilista europeu n\u00e3o pode ser universalizado &#8211; escreve Tzvetan Todorov, numa vers\u00e3o livre de trecho do seu livro <em>&#8220;La Conqu\u00eate de L\u00b4Am\u00e9rique, la question de l&#8217;autre&#8221;.<\/em> Comedida, mas igualmente esclarecedora, diz Els Lagrou: <em>&#8220;O que para Colombo n\u00e3o passava de vidro, eram p\u00e9rolas para os ind\u00edos. Apesar de fazerem suas pr\u00f3pria contas, as de vidro eram novidades, preciosidades ex\u00f3ticas&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>Os Kaxinaw\u00e1 contam que as pessoas viajavam pela floresta em busca da \u00e1rvore de mi\u00e7anga, uma \u00e1rvore grande parecida com a samaumeira, cheia de contas coloridas: vermelhas, azuis, amarelas e brancas. A exposi\u00e7\u00e3o mostra que a mi\u00e7anga, desde sua origem, est\u00e1 associada \u00e0 viagem. &#8220;F\u00e1cil de carregar e sedutora pelo brilho, dureza e colorido, a mi\u00e7anga se transforma rapidamente em mat\u00e9ria prima cobi\u00e7ada para a arte de produzir enfeites a amarrar o corpo e enfeitar os artefatos rituais entre muitos povos do mundo, ela aponta para a conex\u00e3o com mundos distantes, por\u00e9m interconectados e traz para o interior for\u00e7as que v\u00eam de fora&#8221;.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-e-indias1.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-e-indias1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-513\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-e-indias1.jpg?resize=300%2C210\" alt=\"Mi\u00e7anga e indias(1)\" width=\"300\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-e-indias1.jpg?resize=300%2C210 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Mi\u00e7anga-e-indias1.jpg?w=748 748w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Pacificando o branco<\/strong><\/p>\n<p>O colonizador que extra\u00eda o cacau da Am\u00e9rica e trazia o chocolate, fez isso com todas as mat\u00e9rias primas. Mas com a mi\u00e7anga ocorreu o contr\u00e1rio. Quem visita a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado a refletir sobre a invers\u00e3o est\u00e9tica da rela\u00e7\u00e3o entre o colonizador &#8211; que aqui \u00e9 o fornecedor da mat\u00e9ria prima e o colonizado &#8211; que passa a ser o encarregado de transform\u00e1-la em arte, em artefato, de agregar valor ao produto como dizem os economistas.<\/p>\n<p>O deslubramento diante da beleza das pe\u00e7as, com uma ilumina\u00e7\u00e3o que as valoriza e proporciona conforto visual ao visitante, \u00e9 de tirar o f\u00f4lego, mas o efeito quase pirot\u00e9cnico dos recursos expogr\u00e1ficos, longe de ofuscar o pensamento, contribui para a reflex\u00e3o. O visitante, al\u00e9m de encher os olhos com a beleza, inunda a cabe\u00e7a com novas ideias, se faz perguntas e sai com uma vis\u00e3o mais precisa sobre as culturas que foram capazes de ver o Outro &#8220;n\u00e3o como um empecilho para a constru\u00e7\u00e3o de pessoas ou grupos&#8221;, mas como elemento constitutivo do ser. A mi\u00e7anga mostra que o Outro precisa ser incorporado e pacificado e n\u00e3o aniquilado e destru\u00eddo.<\/p>\n<p>\u00c9 o que Els Lagrou denominou de &#8220;est\u00e9tica ind\u00edgena de pacifica\u00e7\u00e3o do branco&#8221;. O &#8220;purista&#8221; v\u00ea na mi\u00e7anga um sinal de polui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, resultante da substitui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima extra\u00edda do ambiente natural por materiais industrializados. A exposi\u00e7\u00e3o nos mostra, pelo contr\u00e1rio, que &#8220;a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica amer\u00edndia situa no exterior a fonte de inspira\u00e7\u00e3o para o processo criativo&#8221;.<\/p>\n<p>O texto de abertura nos chama a aten\u00e7\u00e3o para o papel central das mi\u00e7angas nos mitos e nos ritos de diferentes grupos amer\u00edndios, a mi\u00e7anga funciona como se fosse uma l\u00edngua, <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-3.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-3.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-515\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-3.jpg?resize=300%2C208\" alt=\"sala expo 3\" width=\"300\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-3.jpg?resize=300%2C208 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/sala-expo-3.jpg?w=750 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0com um dicion\u00e1rio de contas, uma esp\u00e9cie de l\u00edngua de vidro que registra e faz circular conhecimentos, &#8220;tece caminhos pelo mundo e conta hist\u00f3rias de fasc\u00ednio m\u00fatuo entre povos distintos, falando do com\u00e9rcio e da explora\u00e7\u00e3o, do encontro e desencontro de perspectivas entre viajantes e nativos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O que vem de fora<\/strong><\/p>\n<p>No &#8220;Mergulho&#8221; da \u00faltima sala, as considera\u00e7\u00f5es finais:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea certamente se perguntou porque tantos povos diferentes s\u00e3o fascinados por essas continhas de vidro coloridas desde a Antiguidade. Viu que os \u00edndios fazem com elas seus colares e enfeites n\u00e3o por as acharem mais interessantes do que as sementes naturais. N\u00e3o \u00e9 uma perda, mas um ganho. O que vem de fora, no pensamento desses povos, tem um valor diferenciado. \u00c9 perigoso e atrai ao mesmo tempo. Tudo o que vem de fora inspira e faz construir novas rela\u00e7\u00f5es, novos padr\u00f5es de beleza e abre novas possibilidades. O Museu do \u00cdndio convida voc\u00ea a mergulhar nessas rela\u00e7\u00f5es diferentes&#8221;.<\/p>\n<p>O convite deve ser aceito, especialmente porque nesse mundo fedorento de Cunha, Collor, Renan, petrol\u00e3o e cerver\u00f3s, a exposi\u00e7\u00e3o do Museu do \u00cdndio \u00e9 b\u00e1lsamo para a alma, col\u00edrio para os olhos e massagem para a intelig\u00eancia. O Museu est\u00e1 todo mi\u00e7angado, ate suas portas e janelas Se voc\u00ea \u00e9 leitor deste Di\u00e1rio do Amazonas, pode escolher entre tomar ou n\u00e3o conhecimento da exposi\u00e7\u00e3o, op\u00e7\u00e3o que eu n\u00e3o tive. Sou assinante de dois jornais, um do Rio e outro de S\u00e3o Paulo e n\u00e3o encontrei uma notinha sobre o acontecimento, sequer uma linha, uma m\u00edsera v\u00edrgula. S\u00f3 releases promocionais, alguns deles repetidos por ambos jornais, de eventos com gente que eu nem conhe\u00e7o, que deveriam aparecer como propaganda comercial e n\u00e3o como not\u00edcia, o que \u00e9 um engano.<\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas destinadas \u00e0 cultura dos dois jornais, li mat\u00e9rias sobre o an\u00fancio do Google no Brasil que abre sede do You Tube no Rio de Janeiro, sobre o campeonato de gastronomia, sobre o Dee Bufato que toca com Sean Diss na Arte Inn, sobre os coletivos Somm e Gop Tun que comandam o Countdown no Mira, sobre a m\u00fasica Nhenhenhen e os dez anos de carreira de Maisa na televis\u00e3o e sobre o novo livro de receitas da Ana Maria Braga. Todos temas de transcendental import\u00e2ncia, \u00e9 claro. Nada sobre as mi\u00e7angas. Depois, absolutamente desinformados, os jornais acabam escrevendo besteira sobre a mandioca dos \u00edndios e da Dilma.<\/p>\n<p><em>P.S. &#8211; Textos consultados: 1) GALLOIS, Dominique Tilkin (org): Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial e Povos Ind\u00edgenas. S\u00e3o Paulo, Iep\u00e9. 2006 (depoimento de Jo\u00e3o Tiriy\u00f3 &#8211; pg. 22); 2) LAGROU, Els. No Caminho da Mi\u00e7anga: arte e alteridade entre os amer\u00edndios. Enfoques &#8211; Revista dos Alunos do PPGSA-UFRJ, v.12(1), junho 2013. [on-line]. pp. 18 &#8211; 49; 3) TODOROV, Tzvetan: La Conqu\u00eate de l&#8217;Am\u00e9rique : La Question de l&#8217;autre.Paris. Le Seuil. 1982. 4) MILLER, Joana. As coisas. Os enfeites corporais e a no\u00e7\u00e3o de pessoa entre os Ma\u00admaind\u00ea (Nambiquara). Tese de Doutorado em Antropologia Social. Museu Na\u00adcional\/UFRJ, Rio de Janeiro, 2007; 5) VAN VELTHEM, Lucia. O Belo \u00e9 a Fera. A est\u00e9tica da produ\u00e7\u00e3o e da preda\u00e7\u00e3o entre os Wayana. Lisboa: Museu Nacional de Etnologia, 2003.<\/em><br \/>\n<em> P.S. Fotos, quase todas, eu acho, do M\u00e1rio Vilela.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto do Bessa, logo abaixo, sobre a exposi\u00e7\u00e3o no Museu do \u00cdndio do Rio de Janeiro que apresenta trabalhos de artistas ind\u00edgenas com essas continhas perfuradas, t\u00e3o menosprezadas, lan\u00e7a um olhar significativo sobre as trocas feitas h\u00e1 s\u00e9culos entre &hellip; <a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=510\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[133],"tags":[233,80,234,235],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4Lc9A-8e","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/510"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=510"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":516,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions\/516"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}