{"id":403,"date":"2015-06-07T11:19:06","date_gmt":"2015-06-07T14:19:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=403"},"modified":"2015-06-07T11:19:06","modified_gmt":"2015-06-07T14:19:06","slug":"os-indios-do-velho-continente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=403","title":{"rendered":"Os &#8220;\u00edndios&#8221; do velho continente."},"content":{"rendered":"<p>Meu amigo e ex-professor Rodrigo Montoya passou dois meses aqui em S. Paulo, hospedado conosco \u00a0enquanto dava um curso para o grupo Diversitas, da USP, coordenado pela prof. Zilda Yokoy.<\/p>\n<p>Rodrigo trabalha em novo livro, no qual retoma temas que lhe s\u00e3o caros, como a quest\u00e3o \u00e9tnica no Per\u00fa, a quest\u00e3o dos estados plurinacionais, que a Bol\u00edvia recentemente consagrou em sua nova constitui\u00e7\u00e3o. Conversamos bastante a respeito durante esse tempo, inclusive sobre as peculiaridades brasileiras e a intersec\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es ra\u00e7a e classe nessas sociedades.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos estados nacionais, fa\u00e7anha das nascentes burguesias do final da Idade M\u00e9dia e do Renascimento, est\u00e1 em crise tamb\u00e9m em seu ber\u00e7o original, a Europa. Principalmente na Espanha, onde as autonomias da Catalunha, Val\u00eancia, Pa\u00eds Basco e Gal\u00edcia contestam com cada vez maior veem\u00eancia o conceito de estado nacional espanhol (e o municipalismo extremado que ganhou muitos pontos nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es refor\u00e7a essa tend\u00eancia). Al\u00e9m da Espanha, a B\u00e9lgica, onde o impasse entre val\u00f5es e flamengos resulta em enormes dificuldades para a forma\u00e7\u00e3o de um governo nacional, e mais recentemente no Reino Unido, onde a Esc\u00f3cia retomou seu \u00edmpeto independentista, o questionamento dos estados nacionais (um pa\u00eds, uma bandeira, um hino e um idioma &#8211; antes, tamb\u00e9m de forma candente, tamb\u00e9m uma religi\u00e3o) est\u00e1 cada vez mais presente.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, um dos primeiros a alcan\u00e7ar tal condi\u00e7\u00e3o, as reivindica\u00e7\u00f5es dos bret\u00f5es, normandos, bascos e occitanos pareciam relegadas a um segundo plano, essas reivindica\u00e7\u00f5es voltam a agitar o panorama pol\u00edtico, ainda que sem a envergadura do que acontece na Espanha. Mesmo a Alemanha (que foi um dos \u00faltimos a se conformar como estado-na\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no s\u00e9culo XIX), o que parecia ser uma tend\u00eancia de refor\u00e7o, com a anexa\u00e7\u00e3o (chamada de reunifica\u00e7\u00e3o) da RDA pela RFA continua mostrando sinais de atrito.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina o problema \u00e9 particularmente grave nos pa\u00edses nos quais, antes da chegada dos conquistadores europeus, existiam culturas muito fortes, j\u00e1 bem prestes a se tornarem estados nacionais, particularmente nos Andes, com o Imp\u00e9rio Inca. Na Mesoam\u00e9rica e no M\u00e9xico, por sua vez, a crise profunda que se abatia sobre os astecas n\u00e3o eliminou o problema. Os zapatistas mostram que o problema continua presente, embora o estado nacional mexicano seja bem forte.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia o questionamento do estado-na\u00e7\u00e3o unificado vem sendo tratado de forma bem mais criativa, com o reconhecimento expl\u00edcito da plurinacionalidade no estado boliviano. E no Per\u00fa, como Rodrigo Montoya vem mostrando, a crise \u00e9 longa e profunda, e com muitas implica\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m no Equador.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo post no Taquiprati, meu amigo Bessa retoma, como sempre de modo alegre (que recobre de humor quest\u00f5es ser\u00edssimas), esse problema. Mencionado a quest\u00e3o occitana, n\u00e3o deixa de lembrar o estatus de dominadas que sofrem nossas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1147');\"  href=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1147\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-404\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bessa1.jpg?resize=640%2C358\" alt=\"bessa1\" width=\"640\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bessa1.jpg?w=777 777w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/bessa1.jpg?resize=300%2C168 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira vez que ouvi falar na l\u00edngua occitana foi em 1972 quando estava exilado em Paris. Uma amiga francesa, Paulette Delpont, me contou que era nessa lingua que seu av\u00f4 ensinava os mais jovens a fabricar aqueles foles antigos que servem para reavivar o fogo na lareira. O vov\u00f4 morreu no Roussillon, sul da Fran\u00e7a, onde exercia seu oficio de artes\u00e3o. Mas a l\u00edngua d\u00b4oc resiste e ainda hoje h\u00e1 quem arrisque a vida por ela. Para defend\u00ea-la, o fundador do jornal occitano La Setmana, David Grosclaude, iniciou no final de maio greve de fome contra a pol\u00edtica do estado franc\u00eas que discrimina uma l\u00edngua t\u00e3o pr\u00f3xima ao portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Reside justamente na afinidade das duas l\u00ednguas, que s\u00e3o as &#8220;\u00faltimas flores do L\u00e1cio&#8221;, o motivo do encanto que o occitano desperta em n\u00f3s, falantes de portugu\u00eas. Se o vov\u00f4 do Roussillon me perguntasse: &#8211; Que fas dins la vida? &#8211; eu responderia: &#8211; Soi estudiant. \u00c9 que para falar occitano &#8211; eu brincava &#8211; basta suprimir a vogal final das palavras em portugu\u00eas: degra(u), mai(s), plan(o), catolic(o) sac(o), vent(o), pont(e) e por a\u00ed vai. Qualquer crian\u00e7a brasileira entende o chamado de m\u00e3e occitana: &#8211; mon filh &#8211; mesmo que n\u00e3o seja a &#8220;voz materna&#8221; no &#8220;rude e doloroso idioma&#8221; cantado por Cam\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>L\u00edngua d\u00b4Oc<\/strong><\/p>\n<p>Afinal, que l\u00edngua \u00e9 essa, cujo falante tem de fechar a boca para reivindicar o direito de us\u00e1-la? <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapa-6.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapa-6.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-405\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapa-6.jpg?resize=300%2C275\" alt=\"mapa 6\" width=\"300\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapa-6.jpg?resize=300%2C275 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapa-6.jpg?w=428 428w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0O occitano, conhecido como proven\u00e7al ou l\u00edngua d\u00b4oc \u00e9 uma l\u00edngua neolatina falada na Occit\u00e2nia, uma na\u00e7\u00e3o sem estado, no sul da Fran\u00e7a, que inclui territ\u00f3rios do Languedoc-Roussillon, Proven\u00e7a, Gasconha, Auv\u00e9rnia, Limusine e Definado, al\u00e9m de alguns vales alpinos da It\u00e1lia e o Vale do Aran, na Catalunha. L\u00e1 se encontram s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos, ru\u00ednas romanas, coliseus, aquedutos, anfiteatros, mosteiros, igrejas, abadias, al\u00e9m do patrim\u00f4nio mais importante que documentou tudo a seu redor: a <em>l\u00edngua d\u00b4oc.<\/em><\/p>\n<p>No s\u00e9culo IX &#8211; garantem os estudiosos &#8211; surgem os primeiros documentos escritos em occitano com o objetivo de converter seus falantes ao catolicismo, qualquer semelhan\u00e7a com o que fizeram os mission\u00e1rios na Am\u00e9rica com os \u00edndios n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. Eram tradu\u00e7\u00f5es do latim de hinos, poesias, contos religiosos, biografias de santos. Conserva-se ainda hoje o manuscrito com a vers\u00e3o feita no s\u00e9c. XI do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, al\u00e9m de pe\u00e7as de teatro e da poesia dos trovadores do sec. XII e da literatura jur\u00eddica, filol\u00f3gica e cient\u00edfica a partir dos s\u00e9culos XIV e XV.<\/p>\n<p>Mas o uso oficial do occitano parecia ter seus dias contados. Com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, o Abb\u00e9 Gr\u00e9goire, padre e pol\u00edtico, tra\u00e7ou um mapa dos costumes e das l\u00ednguas faladas na Fran\u00e7a, a partir de question\u00e1rios aplicados em 1790, que confirmaram o que j\u00e1 constava na Enciclop\u00e9dia publicada alguns anos antes: o franc\u00eas falado sobretudo em Paris era considerado l\u00edngua estrangeira no interior, onde predominavam l\u00ednguas vernaculares denominadas depreciativamente de patu\u00e1.<\/p>\n<p>Definido pela Enciclop\u00e9dia como &#8220;linguagem corrompida falada em quase todas as prov\u00edncias&#8221;, o patu\u00e1, na realidade, era &#8220;o nome dado \u00e0s l\u00ednguas dos povos vencidos&#8221; como mais tarde advertiria Jean Jaur\u00e9s. Foi com esse discurso de intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a essas l\u00ednguas que o abade Gr\u00e9goire fundamentou a elabora\u00e7\u00e3o do &#8220;Relat\u00f3rio sobre a necessidade e os meios de erradicar o patu\u00e1 e universalizar o uso da l\u00edngua francesa&#8221;.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de que as l\u00ednguas constituem um dos alicerces de ordenamento social nas pr\u00e1ticas administrativas do Estado justificou a imposi\u00e7\u00e3o do idioma franc\u00eas como um dos fundamentos ideol\u00f3gicos da unidade nacional com a consequente intransig\u00eancia na repress\u00e3o \u00e0s demais l\u00ednguas.<\/p>\n<p><strong>O selvagem da Fran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Parler-francais-propre.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Parler-francais-propre.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-406\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Parler-francais-propre.jpg?resize=300%2C228\" alt=\"Parler francais propre\" width=\"300\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Parler-francais-propre.jpg?resize=300%2C228 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Parler-francais-propre.jpg?w=733 733w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0O projeto pol\u00edtico defendido pelo abade Gr\u00e9goire queria extinguir as l\u00ednguas usadas no meio rural, incluindo aquelas faladas pelos escravos por cuja liberdade &#8211; \u00e9 verdade &#8211; ele lutou, desde que os libertos falassem franc\u00eas, que para ele era &#8220;a l\u00edngua da liberdade&#8221;. Como deputado na Constituinte, declarou que essa era a melhor forma de eliminar as supersti\u00e7\u00f5es &#8211; assim ele chamava os conhecimentos tradicionais transmitidos oralmente em l\u00ednguas vern\u00e1culas. Sua proposta de &#8220;criar um povo&#8221; e de &#8220;dissolver todos os cidad\u00e3os na massa nacional&#8221; passava pela universaliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua francesa, estabelecendo a rela\u00e7\u00e3o entre cidadania e a l\u00edngua oficial. Essa foi a pol\u00edtica de l\u00ednguas do Estado franc\u00eas.<\/p>\n<p>Uma est\u00e1tua do Abb\u00e9 Gr\u00e9goire foi inaugurada recentemente no cora\u00e7\u00e3o de Montpellier em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos escravos durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, o que \u00e9 uma afronta equivalente a erguer um monumento aos bandeirantes ou uma est\u00e1tua de Cabral dentro de uma aldeia ind\u00edgena, conforme observa\u00e7\u00e3o de Mathias Gibert, que discute o papel intolerante do abade no artigo Uma Fran\u00e7a Selvagem: sobre a &#8216;coloniza\u00e7\u00e3o interna&#8217;.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia desse modelo pol\u00edtico que interfere no destino das l\u00ednguas regionais \u00e9 contestada pelo bispo de Burgos, Pedro Luis Blanco, na sua &#8220;Resposta Pac\u00edfica de un Espa\u00f1ol&#8221;, de 1798. &#8220;Nos tratan como \u00edndios&#8221; &#8211; escreveu. O bispo reconhecia que o occitano e outras l\u00ednguas minorizadas recebiam o tratamento compat\u00edvel com o modelo colonial hisp\u00e2nico que defendia a erradica\u00e7\u00e3o da diversidade lingu\u00edstica.<\/p>\n<p>Embora a administra\u00e7\u00e3o colonial, por necessidade, tivesse usado as l\u00ednguas gerais ind\u00edgenas, o que significou a extin\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas minorit\u00e1rias, as constituintes das rep\u00fablicas latinoamericanas retomaram o modelo franc\u00eas, associando a cidadania ao dom\u00ednio da l\u00edngua de Estado.<\/p>\n<p>Efetivamente, na Fran\u00e7a, os povos de l\u00ednguas minorizadas foram submetidos a um processo de &#8220;coloniza\u00e7\u00e3o interna&#8221;, estudado pelo linguista e historiador Robert Lafont, professor da Universidade de Montpellier, especialista em literatura occitana. Para ele, as minorias que vivem em territ\u00f3rio controlado pelo estado franc\u00eas foram colonizadas, seguindo o modelo do colonialismo externo. &#8220;O campon\u00eas franc\u00eas \u00e9 o selvagem do interior&#8221;, para usar express\u00e3o de Michel de Certeau citada por Mathias Gibert.<\/p>\n<p><strong>Lenga d\u00b4amor<\/strong><\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/langedoc.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/langedoc.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-407\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/langedoc.jpg?resize=266%2C300\" alt=\"langedoc\" width=\"266\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/langedoc.jpg?resize=266%2C300 266w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/langedoc.jpg?w=416 416w\" sizes=\"(max-width: 266px) 100vw, 266px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0Apesar disso, a l\u00edngua e a cultura da Occit\u00e2nia conquistaram um lugar na literatura e no cinema. Hist\u00f3ria de Adrien de Jean-Pierre Denis, que tive a sorte de ver em 1981, \u00e9 todo falado na l\u00edngua d\u00b4Oc e legendado em franc\u00eas. Conta a hist\u00f3ria de um campon\u00eas no in\u00edcio do s\u00e9c. XX, as migra\u00e7\u00f5es, o \u00eaxodo rural, a cidade, a greve dos ferrovi\u00e1rios. A escolha da l\u00edngua foi determinada &#8211; segundo o diretor &#8211; como forma de registrar que em 1905 ela era falada pelos camponenses no cotidiano do campo e dos povoados.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da l\u00edngua e da cultura occitana pode ser vista tamb\u00e9m no document\u00e1rio Lenga d\u00b4amor (2013), todo ele falado em l\u00edngua d\u00b4Oc, escrito e dirigido por Patrick Lavaud. Ele registra as narrativas orais, o conto, a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, a topon\u00edmia, o bilinguismo e discute o papel do ensino da l\u00edngua e de seu futuro, a partir de suas lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia na fazenda da fam\u00edlia, na regi\u00e3o do P\u00e9rigord.<\/p>\n<p>A Occitania, assim como o mundo ind\u00edgena, resistiu ao colonialismo interno, que proibiu a escolariza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na l\u00edngua d\u00b4Oc. A l\u00edngua foi enterrada, mas como uma semente renasceu. Hoje, as estimativas indicam a exist\u00eancia de 4 milh\u00f5es de falantes, cujas conquistas de escola bilingue se encontram amea\u00e7adas. Por isso, o conselheiro regional da Aquit\u00e2nia, David Grosclaude, iniciou no dia 27 de maio uma greve de fome. Os jornais franceses de circula\u00e7\u00e3o nacional nada noticiaram, mas nas redes sociais milhares de pessoas manifestaram imediatamente seu apoio.<\/p>\n<p>No dia 3 de junho a greve vitoriosa foi interrompida, com a assinatura de um documento pelos ministros da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura, que garantiram a cria\u00e7\u00e3o de uma Secretaria P\u00fablica da L\u00edngua Occitana e os recursos para seu funcionamento. Daqui, do Di\u00e1rio do Amazonas, saudamos o fole do vov\u00f4 do Roussillon que continua assoprando as brasas da tradi\u00e7\u00e3o, iluminando o falar occitano. A simpatia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos falantes de portugu\u00eas, mas tamb\u00e9m dos \u00edndios no Brasil. L\u00ednguas ind\u00edgenas e l\u00edngua d\u00b4Oc: le m\u00eame combat!<br \/>\nP.S. Agrade\u00e7o as valiosas indica\u00e7\u00f5es de Mathias Gibert no seu artigo &#8220;Une France sauvage: autour de la &#8216;colonisation int\u00e9rieure&#8221; e outras sugeridas em troca de e-mails.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu amigo e ex-professor Rodrigo Montoya passou dois meses aqui em S. Paulo, hospedado conosco \u00a0enquanto dava um curso para o grupo Diversitas, da USP, coordenado pela prof. Zilda Yokoy. 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