{"id":328,"date":"2015-03-12T20:09:28","date_gmt":"2015-03-12T23:09:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=328"},"modified":"2015-03-12T20:09:28","modified_gmt":"2015-03-12T23:09:28","slug":"chineses-e-nobel-de-literatura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=328","title":{"rendered":"CHINESES E NOBEL DE LITERATURA"},"content":{"rendered":"<p>Tentei ler, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, o romance \u201cMontanha da Alma\u201d, do chin\u00eas Gao Xingjian, que foi o primeiro daquele pa\u00eds a ganhar o Nobel de literatura. N\u00e3o consegui. Romance metaf\u00edsico, chato demais. N\u00e3o consegui passar das primeiras cinquenta p\u00e1ginas. E sou desses que dificilmente larga um romance, ou sai do cinema diante de um filme ruim. \u00c9 preciso ser superlativamente chato ou ruim para me fazer desistir.<\/p>\n<p>Gao Xingjian foi profusamente louvado pela imprensa ocidental em 2000, quando ganhou o Pr\u00eamio. J\u00e1 os chineses \u2013 inclusive o sindicato dos autores \u2013 acusou os suecos de fazer manobra anti-chinesa, etc. etc.<\/p>\n<p>Em 2012, outro chin\u00eas abiscoita o diploma do Nobel, que nenhum escritor brasileiro conseguiu. Mo Yan foi o vencedor. Dessa vez, ao contr\u00e1rio de Gao Xingjian, Mo Yan n\u00e3o apenas vivia na China, como era estimado pelo regime e elogiou repetidas vezes o Partido Comunista. Pronto, foi a senha para que acusassem os suecos, desta vez, de ceder \u00e0 press\u00e3o do governo de Beijing e premiar Mo Yan como \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d por haver premiado Gao Xingjian. As cr\u00edticas recrudesceram quando se lembrou que Liu Xiaobo, que recebeu em 2010 o Nobel da Paz, est\u00e1 preso. Dissidentes famosos, como o pintor-escultor Ai Weiwei, lamentaram essa premia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu fiquei l\u00e1 de p\u00e9 atr\u00e1s com esse tiroteio, pois havia visto o \u201cSorgo Vermelho\u201d de Zhang Yimou, baseado em um dos romances de Mo Yan, e nada condescendente com a situa\u00e7\u00e3o dos camponeses chineses. Outros filmes j\u00e1 foram feitos a partir dos livros do escritor, inclusive com\u00e9dias.<\/p>\n<p>Agora, terminei de ler \u201cThe Garlic Ballads\u201d \u2013 \u201cAs Baladas do Alho\u201d, de Mo Yan.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-329\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"mo yan garlic\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/mo-yan-garlic.jpg?w=346 346w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> O livro conta a hist\u00f3ria de um momento \u2013 j\u00e1 na \u00e9poca do \u201cprosperai!\u201d, no qual as autoridades de uma comunidade, sintomaticamente chamada de Para\u00edso, convencem os camponeses a plantar extensivamente alho, prometendo a compra da colheita a pre\u00e7os vantajosos. Todo mundo planta alho, e quando chega a colheita, o governo municipal deixa de comprar a maior parte da produ\u00e7\u00e3o, que apodrece. Havia alho em demasia.<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es de parentesco jogam um papel importante no livro. Gao Ma, um dos camponeses, ex-soldado, apaixona-se por Fang Jinju, filha de seus vizinhos, e \u00e9 correspondido. S\u00f3 que Jinju havia sido prometida em casamento, a um parente de um dos dirigentes do Partido e autoridade do munic\u00edpio, em uma intrincada troca de favores para conseguir uma esposa para seu irm\u00e3o mais velho, que era semi-aleijado. Casamentos contratados s\u00e3o legalmente proibidos, mas a tradi\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 amplamente aplicada, e os pais negociam os casamentos de filhas e filhos.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-330\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg?resize=640%2C179\" alt=\"propaganda Guerra\" width=\"640\" height=\"179\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg?w=1150 1150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg?resize=300%2C84 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/propaganda-Guerra.jpg?resize=1024%2C286 1024w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a crise de superprodu\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o se revolta e depreda a sede do governo municipal e ainda d\u00e1 umas porradas em alguns funcion\u00e1rios. Um dos cabe\u00e7as espont\u00e2neos do assalto \u00e9 Gao Ma, que \u00e9 preso. S\u00f3 que, junto com ele, vai presa a m\u00e3e de Jinju (que o odiava), e Gao Yang, outro campon\u00eas. A m\u00e3e de Jinju, a \u201cQuarta Tia\u201d, participa do tumulto por conta da raiva por seu marido haver sido morto em um acidente com o carro, dirigido por um motorista b\u00eabado, que estava a servi\u00e7o do Secret\u00e1rio Wang, o chef\u00e3o local do PC. Gao Yang foi testemunha do acidente, e paga por isso.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Jinju, gr\u00e1vida, se suicida em uma cena de puro surrealismo, dialogando com o feto sobre as dificuldades da vida que ele n\u00e3o teria, e ela o \u201cconvence\u201d a n\u00e3o nascer. O julgamento de todos \u00e9 uma farsa, apesar de um dos advogados, professor de marxismo-leninismo, defend\u00ea-los e acusar os dirigentes locais de sanguessugas. Todos v\u00e3o para campos de reeduca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Quarta-Tia \u00e9 solta alguns meses depois, com a pena comutada, por doen\u00e7a e velhice. Mas, quando chega em casa, depara-se com o compl\u00f4 dos ambiciosos filhos (que dividiram tudo o que a fam\u00edlia tinha), de casar o \u201cfantasma\u201d de Jinju com o \u201cfantasma\u201d do filho do chef\u00e3o. E tamb\u00e9m se suicida diante da gan\u00e2ncia dos dois filhos traficantes dos restos mortais da irm\u00e3. Gao Ma, que sabe da not\u00edcia no campo de reeduca\u00e7\u00e3o, levada pela esposa de Gao Yang, sabe que logo seria solto, mas tenta fugir e \u00e9 fuzilado na tentativa.<\/p>\n<p>Os fantasmas e os mortos (ou os prestes a morrer, como o feto de Jinju) aparecem em v\u00e1rios momentos do romance, dando o toque de literatura fant\u00e1stica que \u00e0s vezes \u00e9 ligado a Mo Yan. O suic\u00eddio da Quarta-Tia n\u00e3o \u00e9 provocado pelo casamento em si, mas pela indignidade de entregar Jinju a outro que n\u00e3o Gao Ma, e pela gan\u00e2ncia inescrupulosa dos filhos, que odiavam a irm\u00e3 e n\u00e3o hesitam em vender seus restos mortais. A Quarta-Tia j\u00e1 havia reconhecido que \u201cJinju \u00e9 de Gao Ma\u201d ainda na pris\u00e3o. Mas a verdade \u00e9 que o mundo dos mortos \u00e9 uma presen\u00e7a constante no cotidiano dos chineses. Veja-se, por exemplo, a not\u00edcia do <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.nytimes.com\/2015\/03\/12\/world\/asia\/chinas-tensions-with-dalai-lama-spill-into-the-afterlife.html?emc=edit_ee_20150312&amp;nl=todaysheadlines&amp;nlid=34745874&amp;_r=0');\"  href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2015\/03\/12\/world\/asia\/chinas-tensions-with-dalai-lama-spill-into-the-afterlife.html?emc=edit_ee_20150312&amp;nl=todaysheadlines&amp;nlid=34745874&amp;_r=0\" target=\"_blank\">New York Times <\/a>do dia 12 de mar\u00e7o, que relata as discuss\u00f5es dentro do PC Chin\u00eas sobre a reencarna\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do Dalai Lama.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-331\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg?resize=346%2C346\" alt=\"lu xun\" width=\"346\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg?w=346 346w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/lu-xun.jpg?resize=300%2C300 300w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> A prosa de Mo Yan me lembrou muito a de Lu Xun, escritor da d\u00e9cada de trinta, membro do PC e prestigiad\u00edssimo por Mao Zedong. Lu Xun era essencialmente contista. A colet\u00e2nea \u201cAntigos Relatos Contados Novamente\u201d \u00e9 reveladora da brutalidade do campo chin\u00eas antes da revolu\u00e7\u00e3o, e seu estilo tamb\u00e9m tinha toques surrealistas. O romance \u201cA Verdadeira Hist\u00f3ria de AQ\u201d segue a mesma linha. Li esses livros em espanhol, h\u00e1 d\u00e9cadas. Existem tradu\u00e7\u00f5es para o ingl\u00eas em e-book.<\/p>\n<p>Mo Yan s\u00f3 tem, por enquanto, um de seus livros publicados no Brasil, \u201cMudan\u00e7a\u201d, editado pela Cosac Naify. N\u00e3o \u00e9 um de seus livros mais significativos. A Companhia das Letras promete a publica\u00e7\u00e3o de \u201cR\u00e3s\u201d para setembro. Esse \u00e9 mais importante, lidando com a pol\u00edtica do filho \u00fanico e abortos for\u00e7ados. Aguardemos.<\/p>\n<p>Bom, esse \u00e9 o Mo Yan, que a imprensa ocidental acusa de subserviente ao PC Chin\u00eas. Pode ser prestigiado pelos c\u00edrculos oficiais, e seus livros, como disse, j\u00e1 serviram de base para v\u00e1rios filmes.<\/p>\n<p>Essencialmente, por\u00e9m, Mo Yan \u00e9 um grande romancista. \u201cThe Garlic Ballads\u201d (o t\u00edtulo vem da balada cantada por Zhang Kou, menestrel cego que me evocou os do nordeste, que relata os eventos do ponto de vista dos camponeses, e termina assassinado, com a boca cheia de lama, apesar de ter sido absolvido no julgamento) \u00e9 obra de um estilista, grande contador de hist\u00f3rias e que, se \u00e9 comprometido com algo ou algu\u00e9m coisa na China, \u00e9 com a popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 fora do milagre. Lerei outros, mais tarde.<\/p>\n<p>J\u00e1 li alguns cr\u00edticos (dos EUA) ressaltarem a vitalidade da literatura chinesa contempor\u00e2nea. Sem falar na imensid\u00e3o dos n\u00fameros, e das novas formas de escrever usando a Internet, li alguns romances chineses modernos e contempor\u00e2neos muito interessantes.<\/p>\n<p>Mao Dun (1896-1981) \u00e9 considerado um dos grandes nomes da literatura chinesa moderna. Li, em castelhano, seu romance \u201cMedianoche\u201d (\u5b50\u591c), l\u00e1 pelos anos 1970. \u00c9 um romance realista que explora o mundo comercial de Shangai nos anos 1930, com um retrato simp\u00e1tico do nascente movimento oper\u00e1rio. O romance, entretanto, \u00e9 focado nas vicissitudes da burguesia industrial que se bate contra a burocracia, a corrup\u00e7\u00e3o, a especula\u00e7\u00e3o financeira e a concorr\u00eancia internacional. Parece novidade? A Marco Zero, na \u00e9poca, tinha uma op\u00e7\u00e3o para publicar, mas tivemos que desistir pelas dificuldades da empreitada.<\/p>\n<p>Mao Dun foi, depois da Revolu\u00e7\u00e3o, Ministro da Cultura de Mao Zedong, saindo do cargo em 1964, no meio de turbul\u00eancias pol\u00edticas. No entanto, foi prestigiado at\u00e9 o final da vida e d\u00e1 nome a um importante pr\u00eamio liter\u00e1rio chin\u00eas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/heroine-rouge.jpe\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-332\" src=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/heroine-rouge.jpe\" alt=\"heroine rouge\" width=\"211\" height=\"346\" srcset=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/heroine-rouge.jpe 211w, http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/heroine-rouge-183x300.jpe 183w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a> Um escritor bem interessante \u00e9 Qiu Xialong, autor de uma s\u00e9rie de romances policiais protagonizados pelo Inspetor Chen, da pol\u00edcia de Shangai. O Inspetor Chen mora em um antigo edif\u00edcio, com cozinha coletiva e privacidade extremamente reduzida, e batalha para conseguir um apartamento em um dos novos pr\u00e9dios (acaba conseguindo), no meio da burocracia e das avalia\u00e7\u00f5es feitas aos membros do PC. Mas os romances mostram, como todo bom romance policial, o cotidiano e os problemas da vida dos cidad\u00e3os comuns e tamb\u00e9m as espinhosas tarefas de desvendar crimes politicamente carregados que passam pelas m\u00e3os do inspetor. \u201cVisa pour Shangai\u201d, (em franc\u00eas) por exemplo, envolve at\u00e9 a coopera\u00e7\u00e3o com o FBI para resolver o caso do desaparecimento da mulher de um atravessador. \u201cMort d\u2019une h\u00e9ro\u00efne rouge\u201d desvenda o caso de uma trabalhadora modelo, hero\u00edna do socialismo, que \u00e9 assassinada, e a investiga\u00e7\u00e3o acaba revelando um lado nada heroico. J\u00e1 em \u201cEncres de Chine\u201d <a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/encres-de-chine.jpe\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-333 size-medium\" src=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/encres-de-chine-183x300.jpe\" alt=\"encres de chine\" width=\"183\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/encres-de-chine-183x300.jpe 183w, http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/encres-de-chine.jpe 211w\" sizes=\"(max-width: 183px) 100vw, 183px\" \/><\/a>\u00a0o Inspetor Chen vai atr\u00e1s do assassino de uma militante feroz na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural, que se tornou dissidente, e cujo assassinato se reveste de enormes complica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em \u201cRed Mandarin Dress\u201d o Inspetor Chen enfrenta um serial killer, em outros crimes que tamb\u00e9m envolvem o per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural e corrup\u00e7\u00e3o. Finalmente, \u201cDisappearing Shanghai\u201d \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de fotos tiradas por Qiu Xialong, com ensaio dele, mostrando as transforma\u00e7\u00f5es de sua cidade. Esse s\u00f3 em papel. Qiu tamb\u00e9m mantem um <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.qiuxiaolong.com\/QiusCorner.html');\"  href=\"http:\/\/www.qiuxiaolong.com\/QiusCorner.html\" target=\"_blank\">blog<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada em portugu\u00eas de Qiu Xiaolong.<\/p>\n<p>Outro escritor chin\u00eas contempor\u00e2neo, mas esse est\u00e1 traduzido ao portugu\u00eas, \u00e9 Yu Hua, um dentista que virou autor. Li \u201cBrothers\u201d, um romance impressionante pela crueza e viol\u00eancia, descrevendo a trajet\u00f3ria de dois irm\u00e3os, cujo pai \u00e9 assassinado durante a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural e que tem que se virar. Um deles, o mais esperto, acaba multimilion\u00e1rio, come\u00e7ando como catador de lixo, importador de ternos japoneses de segunda m\u00e3o. <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-334\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"brothers\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/brothers.jpg?w=346 346w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0O segundo, t\u00edmido e desajeitado, casa entretanto com a mulher que \u00e9 o objeto de desejo dos dois. Acaba virando personagem em um circo freak, com seios crescidos a base de horm\u00f4nios, a mulher vira dona de bordel, e por a\u00ed vai. \u00c9 a vis\u00e3o mais cruel do \u201cProsperai!\u201d, o lema do Deng Xiao Ping. \u201cIrm\u00e3os\u201d foi publicado aqui pela Companhia das Letras (n\u00e3o dispon\u00edvel em e-book), assim como \u201cChronicle of a Blood Merchant\u201d (\u201cCr\u00f4nica de um Vendedor de Sangue\u201d) e \u201cViver\u201d. A \u201cCr\u00f4nica de um vendedor de sangue\u201d (que est\u00e1 na minha lista, no Kindle, em ingl\u00eas), literalmente trata do com\u00e9rcio de sangue. D\u00e1 para imaginar o tom. \u201cViver\u201d foi filmado por Zhang Ymou e n\u00e3o circulou na China, o que provocou uma repercuss\u00e3o enorme.<\/p>\n<p>Muita gente se esquece que a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria chinesa \u00e9 antiga. Sempre alegoricamente pol\u00edtica, al\u00e9m de sensual. \u201cO Romance dos Tr\u00eas Reinos\u201d, da autoria de Luo Guanzhong, o \u201c\u00c0 Beira d\u00b4\u00c1gua\u201d, da autoria de Shi Naian, o \u201cA Peregrina\u00e7\u00e3o ao Oeste\u201d, de Wu Cheng\u00b4en, e o \u201cSonho do Pavilh\u00e3o Vermelho\u201d, da autoria de Cao Xueqin, s\u00e3o cl\u00e1ssicos com v\u00e1rios s\u00e9culos de exist\u00eancia, estudados continuadamente (Mao Zedong era especialmente interessado nessas obras, por exemplo) e fazem parte de uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que continua viva e vibrante. A metaf\u00edsica de Gao Xingjian \u00e9 que talvez destoe dessa linha de romances com muita a\u00e7\u00e3o. Certamente n\u00e3o Mo Yan.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-335\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg?resize=157%2C157\" alt=\"51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4,BottomRight,-48,22_AA346_SH20_OU32_\" width=\"157\" height=\"157\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/51dZZlV8SdL._AA324_PIkin4BottomRight-4822_AA346_SH20_OU32_.jpg?w=346 346w\" sizes=\"(max-width: 157px) 100vw, 157px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-336\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg?resize=152%2C152\" alt=\"tr\u00eas reinos\" width=\"152\" height=\"152\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/tr\u00eas-reinos.jpg?w=346 346w\" sizes=\"(max-width: 152px) 100vw, 152px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> <ins datetime=\"2015-03-12T22:36:42+00:00\"><\/ins><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg?resize=159%2C159\" alt=\"peregrina\u00e7\u00e3o ao oeste\" width=\"159\" height=\"159\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg?resize=300%2C300 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg?resize=150%2C150 150w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/peregrina\u00e7\u00e3o-ao-oeste.jpg?w=346 346w\" sizes=\"(max-width: 159px) 100vw, 159px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tentei ler, j\u00e1 h\u00e1 alguns anos, o romance \u201cMontanha da Alma\u201d, do chin\u00eas Gao Xingjian, que foi o primeiro daquele pa\u00eds a ganhar o Nobel de literatura. N\u00e3o consegui. Romance metaf\u00edsico, chato demais. N\u00e3o consegui passar das primeiras cinquenta p\u00e1ginas. &hellip; <a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=328\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[165,167,166,164,168,169],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4Lc9A-5i","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/328"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=328"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":338,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/328\/revisions\/338"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}