{"id":279,"date":"2015-01-04T19:22:15","date_gmt":"2015-01-04T22:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=279"},"modified":"2015-01-04T19:22:15","modified_gmt":"2015-01-04T22:22:15","slug":"a-grande-ilusao-um-filme-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=279","title":{"rendered":"\u201cA GRANDE ILUS\u00c3O\u201d \u2013 UM FILME DE HOJE"},"content":{"rendered":"<p>O filme de Jean Renoir, lan\u00e7ado em 1937, faz parte da caixa \u201c<a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/youtu.be\/6vnuJiihIAo');\"  href=\"http:\/\/youtu.be\/6vnuJiihIAo\" target=\"_blank\">A Primeira Guerra no Cinema \u2013 Seis Cl\u00e1ssicos sobre o Conflito<\/a>\u201d <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"  alignleft wp-image-280\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg?resize=223%2C203\" alt=\"3d-primeiraguerracinema\" width=\"223\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg?w=1113 1113w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg?resize=300%2C273 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3d-primeiraguerracinema.jpg?resize=1024%2C933 1024w\" sizes=\"(max-width: 223px) 100vw, 223px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>\u00a0\u2013 \u00a0lan\u00e7ado \u00a0pela <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.dvdversatil.com.br\/');\"  href=\"http:\/\/www.dvdversatil.com.br\/\" target=\"_blank\">Vers\u00e1til<\/a> para lembrar os 100 anos daquela que foi chamada de Grande Guerra, a \u201cGuerra para acabar com todas as guerras\u201d e que resultou, na verdade, ser apenas a batalha introdut\u00f3ria de um s\u00e9culo polvilhado de conflitos sangrentos, com milh\u00f5es e milh\u00f5es de mortos. S\u00f3 para citar um dado, Picketty, em seu \u201cO Capital no S\u00e9culo XXI\u201d lembra que nessas duas guerras mundiais \u2013 em especial na segunda \u2013 houve realmente um decl\u00ednio no patrim\u00f4nio dos mais ricos, que se recomp\u00f4s \u2013 velozmente, ali\u00e1s \u2013 depois de 1945.<\/p>\n<p>O filme de Renoir, finalizado quando a Guerra Civil Espanhola j\u00e1 estava em pleno curso, mostra desde o t\u00edtulo que essa hist\u00f3ria da \u201cguerra para acabar com todas as guerras\u201d era simplesmente uma grande ilus\u00e3o. O filme pacifista \u2013 sem nenhuma cena de batalha \u2013 foi imediatamente detectado pelos nazistas e fascistas como uma pe\u00e7a de den\u00fancia da xenofobia e, principalmente, como as quest\u00f5es de classe est\u00e3o umbilicalmente envolvidas nos conflitos b\u00e9licos. Goebbels determinou que o filme fosse o primeiro e um dos principais alvos da apreens\u00e3o quando os nazistas conquistaram a Fran\u00e7a, pois Renoir havia sido definido pelo chefe da propaganda hitlerista como \u201cInimigo P\u00fablico n. 1 no Cinema\u201d. Goebbels sabia muito bem o que fazia, mestre que foi no uso de filmes como instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o e propaganda.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/la-grande-ilusion.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/la-grande-ilusion.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-281\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/la-grande-ilusion.jpg?resize=214%2C317\" alt=\"la grande ilusion\" width=\"214\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/la-grande-ilusion.jpg?w=214 214w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/la-grande-ilusion.jpg?resize=203%2C300 203w\" sizes=\"(max-width: 214px) 100vw, 214px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> O t\u00edtulo de \u201cA Grande Ilus\u00e3o\u201d faz refer\u00eancia a um romance do mesmo t\u00edtulo de Norman Angell, hoje pouco conhecido, mas um tremendo sucesso quando lan\u00e7ado em 1913, e que argumentava que a guerra era algo fora de moda, n\u00e3o cientifica e absurda, e por isso mesmo uma grande guerra europeia \u201cn\u00e3o poderia acontecer\u201d. Renoir sabia que o p\u00fablico reconheceria a alus\u00e3o em suas m\u00faltiplas acep\u00e7\u00f5es, inclusive pelo fato de que a ideia do autor n\u00e3o se revelou uma profecia correta. No entanto, no relan\u00e7amento do filme, em 1958, o trailer \u2013 um Jean Renoir conversando com os espectadores \u2013 ele diz que a hist\u00f3ria se baseia nas fa\u00e7anhas de um seu camarada piloto, Pinsard, que foi feito prisioneiro sete vezes e fugiu outras tantas para voltar a pilotar.<\/p>\n<p>O roteiro se baseia em grande medida tamb\u00e9m na experi\u00eancia de vida de Renoir, que foi piloto militar e ferido v\u00e1rias vezes, embora n\u00e3o tenha sido prisioneiro de guerra. Depois do filme lan\u00e7ado, um militar franc\u00eas Jean des Vallieres, autor de um romance bem chauvinista intitulado \u201cKavalier Scharnhost\u201d processou Renoir e o roteirista Charles Spaak por pl\u00e1gio, mas foi derrotado nos tribunais. Entretanto, historiadores reconhecem que alguns tra\u00e7os do roteiro foram realmente inspirados no romance. Renoir declarou v\u00e1rias vezes que mem\u00f3rias de prisioneiros de guerra fazem parte da hist\u00f3ria e n\u00e3o s\u00e3o propriedade particular. Como se percebe, o filme \u00e9 uma colcha de retalho de relatos e experi\u00eancias vividas por v\u00e1rios personagens.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/an\u00fancio-fantasma-Digital.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/an\u00fancio-fantasma-Digital.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-272\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/an\u00fancio-fantasma-Digital.jpg?resize=597%2C174\" alt=\"an\u00fancio fantasma Digital\" width=\"597\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/an\u00fancio-fantasma-Digital.jpg?w=597 597w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/an\u00fancio-fantasma-Digital.jpg?resize=300%2C87 300w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O filme conta a hist\u00f3ria centrada em dois oficiais franceses, o tenente Mar\u00e9chal (Jean Gabin) e o capit\u00e3o de Boeldieu (Pierre Fresnay), que s\u00e3o abatidos em um voo de reconhecimento e aprisionados. Passam por v\u00e1rios campos de prisioneiros, sempre tentando fugir, at\u00e9 chegar ao \u00faltimo, uma fortaleza em uma escarpa, de onde Mar\u00e9chal e Rosenthal (Marcel Dalio), judeu riqu\u00edssimo que tamb\u00e9m havia sido feito prisioneiro de guerra, conseguem fugir. A fuga tem sucesso gra\u00e7as a um truque bolado por de Boeldieu, que acaba morrendo nas m\u00e3os do comandante von Rauffenstein (Erich von Stroheim), o piloto que abateu os dois.<\/p>\n<p>Na fuga, Rosenthal escorrega e torce o p\u00e9, atrasando e dificultando a caminhada. Mar\u00e9chal amea\u00e7a abandon\u00e1-lo, mas volta para ajud\u00e1-lo a caminhar. Abrigam-se em uma cabana e s\u00e3o surpreendidos pela dona, uma fazendeira alem\u00e3 que trazia a vaca para o est\u00e1bulo. A mulher acaba protegendo os dois. Conta que perdeu o marido e todos os irm\u00e3os em batalhas na guerra. Ela e Mar\u00e9chal se apaixonam e, quando os dois voltam a fugir para chegar \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, Mar\u00e9chal promete voltar depois da guerra. Uma patrulha alem\u00e3 os localiza e vai disparar nos alvos vis\u00edveis na neve, mas o sargento det\u00e9m o soldado. \u201cEles j\u00e1 est\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a\u201d. Antes, Mar\u00e9chal comentou com o \u201cjudeu sujo\u201d, abra\u00e7ando-o, que as fronteiras eram coisas dos homens, n\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>O filme, que foi o primeiro estrangeiro a ganhar o Oscar de Melhor Filme, ganhou tamb\u00e9m, no Festival de Veneza, o que seria o Pr\u00eamio Mussolini e foi transformado em \u201cPr\u00eamio Volpi\u201d para o Melhor Filme e Melhor Diretor. A mudan\u00e7a se deu ao fato de que o filme estava banido na It\u00e1lia Fascista, embora participasse do Festival.<\/p>\n<p>A trama sintetizada n\u00e3o faz justi\u00e7a \u00e0s sutilezas do filme. As quest\u00f5es de classe est\u00e3o presentes o tempo todo. A come\u00e7ar por uma exclus\u00e3o: os personagens s\u00e3o todos oficiais, nenhum soldado raso aparece como personagem. Mas, entre os oficiais, as diferen\u00e7as s\u00e3o marcantes. Est\u00e3o os dois aristocratas, inimigos na guerra, mas extremamente afins, e presos ao \u201csentido do dever\u201d. No di\u00e1logo final entre Rauffenstein e de Boeldieu, quando este agoniza depois de ser atingido por um disparo do primeiro ao fazer uma a\u00e7\u00e3o de divers\u00e3o que permitiu a fuga dos outros dois, o melodram\u00e1tico predomina: \u201cUma bala no est\u00f4mago d\u00f3i demais\u201d, diz o ferido. \u201cEu queria atirar nas pernas\u201d, responde o alem\u00e3o. \u201cOra, voc\u00ea estava a mais de cinquenta metros e estava escuro\u201d. \u201cSinto muito\u201d. \u201cVoc\u00ea cumpriu seu dever. Se fosse eu, teria feito o mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Em um di\u00e1logo anterior, Rauffenstein ordena seus comandados que n\u00e3o revistem as coisas de de Boeldieu, que lhe d\u00e1 \u201csua palavra de honra\u201d de que n\u00e3o esconde nada. Estava mentindo, pois preparava a fuga dos companheiros.<\/p>\n<p>Dois di\u00e1logos interessantes, o primeiro entre de Boeldieu e Mar\u00e9chal, quando confabulam a fuga. Diz de Boeldieu, \u201cPara n\u00f3s (aristocratas), morrer na guerra \u00e9 natural. Para voc\u00eas o importante \u00e9 sobreviver\u201d. E entre Mar\u00e9chal e Rosenthal, o primeiro comentando: \u201cAinda bem que n\u00f3s dois estaremos juntos, porque somos parecidos. Voc\u00ea \u00e9 o mais rico de todos n\u00f3s. Se eu e voc\u00ea fic\u00e1ssemos falidos, n\u00e3o ter\u00edamos problema nenhum at\u00e9 em mendigar, mas de Boeldieu n\u00e3o suportaria isso\u201d. Antes, Mar\u00e9chal havia comentado como de Boeldieu: \u201cVoc\u00ea nunca faz nada como os outros\u201d. Ou seja, dois franceses separados por classe e hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros momentos do filme mostram essa curiosa mistura entre camaradagem \u201cnacional\u201d interclassista entre as elites (s\u00e3o todos oficiais), mas que n\u00e3o deixa de mostrar diferen\u00e7as de origem e de posi\u00e7\u00e3o social, e a camaradagem que se estabelece entre os dois aristocratas, que demonstram ter profundas afinidades sociais, embora o \u201cdever\u201d (mais que a nacionalidade) os obrigue a se enfrentar. O soldado alem\u00e3o que vigia Mar\u00e9chal, colocado em solit\u00e1ria, oferece a ele cigarros e uma gaita para que se distraia no isolamento, e evidentemente est\u00e1 aborrecido com o que acontece com o prisioneiro que vigia.<\/p>\n<p>Renoir foi criticado, na \u00e9poca, por mostrar cenas de uma vida quase apraz\u00edvel dos oficiais prisioneiros. Renoir, em 1958, lembra que a I Guerra Mundial ainda n\u00e3o estava marcado pela barb\u00e1rie nazi-fascista, e deixa claro aos franceses (em 1937), que \u201cos alem\u00e3es s\u00e3o humanos\u201d.<\/p>\n<p>Duas cenas tragic\u00f4micas do filme s\u00e3o muito interessantes. A primeira teve um grande impacto, e funciona assim at\u00e9 hoje. Os prisioneiros encenam um espet\u00e1culo de vaudeville, em torno de Carette, ator e comediante bem conhecido na \u00e9poca. Oficiais ingleses atuam travestidos na farsa, que \u00e9 assistida por oficiais prisioneiros e tamb\u00e9m pelos alem\u00e3es, que se divertem juntos. No meio do espet\u00e1culo, Mar\u00e9chal entra no palco para anunciar que \u201co forte Douamont havia sido recuperado pelos franceses\u201d. Um dos oficiais ingleses tira a peruca e pede aos m\u00fasicos que toquem a Marselhesa, que todos os prisioneiros cantam, e que rende a Mar\u00e9chal o confinamento na solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Esse forte Douamont, parte das defesas de Verdun, foi cen\u00e1rio da batalha mais sangrenta da I Guerra Mundial. Tomado pelos alem\u00e3es, retomado pelos franceses, tomado e retomado depois nessa batalha que rendeu 100.000 baixas aos franceses, e algo entre 750.000 e um milh\u00e3o de baixas entre todos os ex\u00e9rcitos envolvidos. A cita\u00e7\u00e3o, evidentemente, remete tanto \u00e0 crueldade quanto \u00e0 inutilidade da guerra em um filme pacifista no qual n\u00e3o se v\u00ea nenhuma cena de batalha.<\/p>\n<p>Os oficiais prisioneiros podiam receber pacotes, entregues atrav\u00e9s da Cruz Vermelha, com alimentos e objetos de uso enviados pela fam\u00edlia. Rosenthal, o mais rico deles, recebe muitos pacotes com iguarias, que distribui entre todos. Um dia os franceses s\u00e3o convidados pelos oficiais russos para abrir e compartilhar uma grande caixa que lhes havia sido enviada \u201cpor nossa generosa czarina\u201d. A promessa de caviar, vodca e outras iguarias entusiasma a todos. Abre-se o caixote e, debaixo da palha, centenas de livros de filosofia, religi\u00e3o, etc. Nada que interessasse aos prisioneiros naquele momento, que acabam incendiando o caixote com os livros, embora sob o protesto de alguns. (Nessa hora lembrei das famosas listas preparadas por leitur\u00f3logos e enviadas para as bibliotecas, onde repousam no fundo das estantes).<\/p>\n<p>Os atores est\u00e3o todos \u00f3timos, e o desempenho se mant\u00e9m, embora em alguns momentos sejam evidentes os maneirismos de interpreta\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Jean Gabin, o ator principal, foi especialmente bem fotografado. Consta que seus olhos recebiam uma ilumina\u00e7\u00e3o especial nas tomadas em close-up. Dita Parlo, a camponesa alem\u00e3 que abriga os fugitivos, trabalhou depois em \u201cAtalante\u201d, de Jean Vigo. Pierre Fresnay (de Boeldieu) atuou nos filmes de Marcel Pagnol e com Hitchcock (\u201cO Homem que Sabia Demais). De Erich von Stroheim nem \u00e9 preciso falar. Marcel Dalio (Rosenthal) voltou a trabalhar com Renoir em \u201cLa R\u00e9gle du Jeu\u201d. Tamb\u00e9m fez o papel do Capit\u00e3o Reynaud em uma s\u00e9rie de televis\u00e3o baseada em \u201cCasablanca\u201d, o ic\u00f4nico filme de Michael Curtiz e construiu uma longa carreira no cinema franc\u00eas.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da recupera\u00e7\u00e3o do filme tamb\u00e9m \u00e9 curiosa. Por muitos anos se pensou que o filme havia sido destru\u00eddo em um ataque a\u00e9reo aliado a Berlim, j\u00e1 que uma das c\u00f3pias apreendidas pelos alem\u00e3es, na verdade, o negativo original, foi contrabandeado para a Alemanha por um arquivista de cinema, nazista, chamado Frank Hansel. Quando os sovi\u00e9ticos ocuparam Berlim, o filme acabou sendo enviado para um arquivo em Moscou. Por volta dos anos 60, houve uma troca de obras entre as cinematecas de Moscou e Toulouse, que inclu\u00eda o filme. Quando Renoir trabalhava na restaura\u00e7\u00e3o, a partir de outras c\u00f3pias recuperadas, acabou descobrindo que a c\u00f3pia de Toulouse era do negativo original, em nitrato, mais completa que a c\u00f3pia com que trabalhava, recuperada pelos aliados em Munique.<\/p>\n<p>Em tudo e por tudo, um filme que vale a pena ser visto. Pela categoria dos atores, da dire\u00e7\u00e3o do roteiro. E pelas \u201cgrandes ilus\u00f5es\u201d \u2013 principalmente as de classe \u2013 que permanecem at\u00e9 hoje. Naquela \u00e9poca, como hoje \u201cvivemos em um tempo de guerra, vivemos em um tempo sem paz\u201d.<\/p>\n<p>Boa parte das informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre o filme e seus int\u00e9rpretes foi recuperada a partir do <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.imdb.com\/title\/tt0028950\/?ref_=nv_sr_1');\"  href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0028950\/?ref_=nv_sr_1\" target=\"_blank\">IMDB \u2013 Internet Movie Data Base<\/a> (que pertence \u00e0 Amazon).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme de Jean Renoir, lan\u00e7ado em 1937, faz parte da caixa \u201cA Primeira Guerra no Cinema \u2013 Seis Cl\u00e1ssicos sobre o Conflito\u201d \u00a0\u2013 \u00a0lan\u00e7ado \u00a0pela Vers\u00e1til para lembrar os 100 anos daquela que foi chamada de Grande Guerra, a &hellip; <a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=279\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[141,142,140,143],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4Lc9A-4v","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/279"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=279"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":284,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions\/284"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}