{"id":265,"date":"2014-12-23T21:30:23","date_gmt":"2014-12-24T00:30:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=265"},"modified":"2014-12-23T21:30:23","modified_gmt":"2014-12-24T00:30:23","slug":"chove-chuva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=265","title":{"rendered":"CHOVE CHUVA"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Lucas Lindoso<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cabeceirassaobentobanhodechuva_a.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cabeceirassaobentobanhodechuva_a.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-266\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cabeceirassaobentobanhodechuva_a.jpg?resize=640%2C480\" alt=\"cabeceirassaobentobanhodechuva_a\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cabeceirassaobentobanhodechuva_a.jpg?w=800 800w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cabeceirassaobentobanhodechuva_a.jpg?resize=300%2C225 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a> Da minha varanda observo que a chuva \u00e9 torrencial. N\u00e3o \u00e9 uma simples chuva. \u00c9 o que chamamos de tor\u00f3. Os livros de Geografia as classificam como tempestades tropicais.<br \/>\nQuando h\u00e1 esse tipo de temporal, as telhas, cercas e fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica podem ficar comprometidas. \u00c1rvores desabam e algumas casas ficam totalmente destru\u00eddas, assustando os moradores. Nas casas de madeira, muitas vezes as paredes e o telhado s\u00e3o arrancados. Os esteios de sustenta\u00e7\u00e3o ficam comprometidos.<\/p>\n<p>Um jovem casal de pernambucanos transferidos para Manaus h\u00e1 pouco tempo subestimou o temporal. Deixou um toldo, do tipo tenda, emprestado para uma festa, esquecido no quintal. O peso da \u00e1gua foi suficiente para quebrar os quatro espeques da tenda, danificando-a totalmente.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que quando chove assim o caboco, que n\u00e3o \u00e9 bobo, n\u00e3o sai de casa. N\u00e3o sai nem para o enterro dele. Fica para o dia seguinte.<\/p>\n<p>Na Justi\u00e7a do Trabalho, quando a chuva \u00e9 muito forte, faltam muitos reclamantes. As reclama\u00e7\u00f5es s\u00e3o arquivadas e os advogados s\u00e3o for\u00e7ados a novos protocolos. Alegria para os que advogam para empresas. E para os empres\u00e1rios, claro. S\u00f3 n\u00e3o podem faltar os prepostos das empresas. Se o caboco resolver enfrentar a chuva e a empresa faltar configura-se a revelia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 muito absente\u00edsmo nas f\u00e1bricas do Distrito. O fato \u00e9 que faz parte da cultura. Choveu o caboco se recolhe.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se atreve a remar pelo Rio Negro. Ocorre o banzeiro, com ondas de seis metros de altura.<\/p>\n<p>Quando menino adorava tomar banho de chuva. Nem sempre t\u00ednhamos permiss\u00e3o. Ficar\u00edamos eventualmente gripados. Mas fug\u00edamos para a chuva. Os curumins amazonenses sabem que os pingos de nossas chuvas s\u00e3o grossos, gostosos, fortes, generosos. E o banho \u00e9 uma del\u00edcia.<\/p>\n<div id=\"attachment_267\" style=\"width: 285px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banzeiro.jpe\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-267\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-267 size-full\" src=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/banzeiro.jpe\" alt=\"banzeiro\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-267\" class=\"wp-caption-text\">Chuva no Rio Negro<\/p><\/div>\n<p>Ainda menino de cal\u00e7as curtas nos mudamos para Bras\u00edlia. Estranhei. Chuva fina, fria, sem gra\u00e7a. N\u00e3o havia meninos na rua tomando banho. Senti saudades de Manaus. Desejei voltar. Voltei trinta anos depois, mas voltei.<\/p>\n<p>Meu sobrinho Jos\u00e9 Gabriel nasceu em Lima, no Peru. Dizem que n\u00e3o chove por l\u00e1. Deve ser verdade. Ainda garotinho ele voltou para o Brasil e viu chuva pela primeira vez. Encantou-se. Chamou seu pai e exclamou extasiado: \u201dMira, mira taita\u201d. Taita \u00e9 papai em Qu\u00e9chua, idioma de sua bab\u00e1 peruana. Al\u00e9m do Qu\u00e9chua, Jos\u00e9 Gabriel foi exposto ao Portugu\u00eas e ao Espanhol. Acho isso um privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>Volto a admirar a chuva. A luz se apaga. Quando chove assim, temos apag\u00e3o e a internet n\u00e3o funciona. As TV\u2019s \u00e0s vezes tamb\u00e9m saem do ar. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os cabocos nativos e a natureza que se recolhe. As coisas do homem moderno deixam de funcionar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/chuva-tropical-1.jpe\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-268\" src=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/chuva-tropical-1.jpe\" alt=\"chuva tropical 1\" width=\"259\" height=\"195\" \/><\/a> N\u00e3o adianta reclamar. Deixei o tablet de lado, coloquei meu cal\u00e7\u00e3o de banho e fui tomar banho de chuva na \u00e1rea externa do condom\u00ednio. Quatro curumins tiveram a mesma ideia e corriam com a bola pelo campinho de futebol. Voltei \u00e0 inf\u00e2ncia. Que del\u00edcia. S\u00f3 faltava uma bica com origem numa calha qualquer, daquelas bem fortes. S\u00e3o mais potentes que qualquer chuveiro moderno. Foi uma alegria. E nem fiquei resfriado. Sa\u00ed cantando: chove chuva, chove sem parar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Lucas Lindoso Da minha varanda observo que a chuva \u00e9 torrencial. N\u00e3o \u00e9 uma simples chuva. \u00c9 o que chamamos de tor\u00f3. Os livros de Geografia as classificam como tempestades tropicais. 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