{"id":25,"date":"2014-06-29T19:38:58","date_gmt":"2014-06-29T22:38:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=25"},"modified":"2014-06-29T19:58:27","modified_gmt":"2014-06-29T22:58:27","slug":"25","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=25","title":{"rendered":"Modernidades de 1904"},"content":{"rendered":"<p>Meu amigo Jos\u00e9 Bessa escreve semanalmente no Di\u00e1rio do Amazonas uma coluna intitulada TAQUI PRA TI. \u00c9 uma t\u00edpica express\u00e3o amazonense, acompanhada do gesto t\u00edpico de mandar uma &#8220;banana&#8221; para quem ouve. No caso, Bab\u00e1, como \u00e9 conhecido pelos amigos, est\u00e1 sempre mandando torpedos certeiros contra alvos bem escolhidos, entre variadas manifesta\u00e7\u00f5es da leseira bar\u00e9, essa &#8220;indolor forma de aliena\u00e7\u00e3o provocada pelo baixo rendimento das sinapses cerebrais sujeitas ao calor intenso&#8221; (defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica encontrada pelo ilustre Dr. Galv\u00e3o &#8220;psiquiatra do social e proctologista da mente amazonense&#8221;, segundo informado pelo M\u00e1rcio Souza em seu afamado folhetim &#8220;A Resist\u00edvel Ascens\u00e3o do Boto Tucuxi&#8221;, publicado pela defunta editora Marco Zero, nos idos de 1982, hoje s\u00f3 dispon\u00edvel nos bons sebos). Al\u00e9m de preciso, o texto do Bessa \u00e9 das coisas mais divertidas que leio sempre. Ali\u00e1s, como ele, conversador e piadista de primeira, que at\u00e9 j\u00e1 apanhou por conta disso, em emboscada encomendada por um assessor de imprensa de um certo ex-governador amazonense, mal-humorado e al\u00e9rgico a verdades ditas com verve. Mas essa j\u00e1 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dizia Marshall McLuhan que &#8220;o meio \u00e9 a mensagem&#8221;, implicando que as transforma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a forma como as mensagem eram transmitidas j\u00e1 era, por si mesma, a mensagem transmitida.<\/p>\n<p>Pois bem, nessa cr\u00f4nica o Bessa aproveita a pesquisa de Priscila Ribeiro, mestranda de hist\u00f3ria da UFAM sobre o &#8220;Jornal do Commercio&#8221;, o jornal de vida mais longeva da capital amazonense, fundado em 1904, e que foi o terceiro jornal da Am\u00e9rica Latina a usar o linotipo, um dos primeiros a usar fotografias, etc. etc. Ou seja, um jornal na vanguarda tecnol\u00f3gica da imprensa, feito possibilitado pelo Amazonas atravessar o per\u00edodo \u00e1ureo da explora\u00e7\u00e3o da borracha nativa, quando o dinheiro circulava aos borbot\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, como se manifesta esse avan\u00e7o tecnol\u00f3gico no conte\u00fado do jornal? Vejam a\u00ed abaixo. E percebam como &#8211; mutatis mutandis na forma &#8211; muita coisa se parece com a verborragia inconsequente que circula na nossa manifesta\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gica mais recente, a Internet.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Taquiprati pra voc\u00eas, para largar de lado a leseira.<br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-26\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=640%2C113\" alt=\"Taquiprati\" width=\"640\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?w=779 779w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=300%2C53 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=500%2C88 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>AS CONFEITARIAS DO GOVERNO<\/p>\n<div class=\"TituloTopo\" style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire<\/div>\n<div class=\"TituloTopo\" style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">29\/06\/2014 &#8211; Di\u00e1rio do Amazonas<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/JC%201%20PAGINA%20MANAUS%20PITORESCA.png?resize=322%2C428\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"428\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>Est\u00e1 cientificamente comprovado: o excesso de adjetivos mata. Quem morreu assim, em 1905, soterrado por uma avalanche de adjetivos, foi o portugu\u00eas Joaquim Rocha dos Santos, um lisboeta que migrou para o Brasil aos 11 anos de idade e fez carreira em Manaus como delegado de pol\u00edcia, juiz de paz, deputado, fundador e propriet\u00e1rio do\u00a0<i>Jornal do Comm\u00e9rcio\u00a0<\/i>do Amazonas, onde contraiu a doen\u00e7a que o vitimou. Hoje, seu nome batiza a rua da capital amazonense que desemboca no Mercad\u00e3o, mas quase ningu\u00e9m sabe quem foi o gajo.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Nigu\u00e9m sabe, nem o pr\u00f3prio jornal que ajudou a construir esse anonimato, quando noticiou a morte de seu diretor (n\u00b0 615, 10\/12\/1905). A primeira frase \u00e9 a \u00fanica informativa: \u201c<i>Morreu o major Rocha dos Santos\u201d.\u00a0<\/i>Depois, o texto arreganha os adjetivos, que jorram aos borbot\u00f5es, matando-o pela segunda vez. O relato n\u00e3o diz a idade do falecido nem como viveu, faz sil\u00eancio sobre sua fam\u00edlia apenas mencionando o\u00a0<i>\u201cidolatrado filho auzente na hora extrema\u201d<\/i>, omite lugar e circunst\u00e2ncias da morte, anestesia o leitor com mais adjetivos e justifica assim a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es:<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">\u201c<i>A commo\u00e7\u00e3o de que nos achamos possu\u00eddos n\u2019este momento, n\u00f3s que o t\u00ednhamos como chefe, como director, como amigo, n\u00e3o permite que fa\u00e7amos uma synthese sequer do que foi esse homem\u201d.<\/i><\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Ent\u00e3o, est\u00e1 explicado: negamos qualquer informa\u00e7\u00e3o, nada mencionamos sobre sua trajet\u00f3ria profissional, n\u00e3o dizemos como ele viveu e morreu, porque estamos profundamente emocionados. A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 inimiga da informa\u00e7\u00e3o? No lugar da biografia, derramamos uma enxurrada de adjetivos que qualificam Rocha dos Santos como \u201c<i>tenaz, inteligente, abnegado, denodado, devotado\u201d<\/i>, destacando que foi \u201c<i>um luctador, affeito \u00e0 adversidade, batalhador vigoroso\u201d<\/i>\u00a0que conquistou \u201c<i>posi\u00e7\u00e3o elevad\u00edssima na sociedade\u201d.\u00a0<\/i>Em que consistiu suas batalhas? Sabe Deus!<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><b><span style=\"text-decoration: underline;\">Paneiro de adjetivos<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/jc%20MAQUINAS%20LINOTIPO(1).png?resize=279%2C291\" alt=\"\" width=\"279\" height=\"291\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>Depois da morte do dito cujo, o jornal \u00e9 comprado em 1907 por Vicente Reis, um advogado carioca, que tamb\u00e9m foi delegado de pol\u00edcia no Rio durante oito anos, escreveu pe\u00e7as teatrais e, convidado pelo governador do Amazonas Constantino Nery para ser Prefeito de Pol\u00edcia, mudou de mala e cuia para Manaus.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Quando comprou o jornal, Reis levou para a reda\u00e7\u00e3o alguns intelectuais locais, alguns bons, outros berinhos, que chegaram com paneiros cheios de adjetivos at\u00e9 o tucupi. Dessa forma, o\u00a0<i>Jornal do Comm\u00e9rcio<\/i>\u00a0incorporou no seu texto outros assassinos da not\u00edcia. Os adjetivos formaram quadrilhas e passaram a andar em duplas de Cosme e Dami\u00e3o, ou em grupos maiores e at\u00e9 em bandos, quase sempre vestindo roupagem superlativa. Uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa relembra as mudan\u00e7as ocorridas depois da morte de Rocha dos Santos:<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><i>\u201cFoi em abril de 1907 que a dire\u00e7\u00e3o do Jornal se viu confiada ao nosso\u00a0<b>querido<\/b>\u00a0e\u00a0<b>bon\u00edssimo<\/b>companheiro dr. Vicente Reis. Na\u00a0<b>alevantada<\/b>\u00a0miss\u00e3o que se imp\u00f4s, tem sido em\u00a0<b>boa<\/b>\u00a0hora assistido pela coopera\u00e7\u00e3o\u00a0<b>efficaz<\/b>\u00a0e\u00a0<b>brilhant\u00edssima<\/b>\u00a0de alguns dos mais\u00a0<b>conhecidos<\/b>\u00a0e\u00a0<b>illustres<\/b>confrades\u00a0<b>contempor\u00e2neos<\/b>, lidos sempre com agrado em qualquer produ\u00e7\u00e3o onde respondam as\u00a0<b>m\u00faltiplas<\/b>\u00a0facetas do seu\u00a0<b>robusto<\/b>\u00a0engenho\u201d\u00a0<\/i>(n\u00b0 3118, de 02\/01\/1913)<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Os covardes substantivos nunca andam sozinhos, v\u00eam sempre acompanhados de um ou de v\u00e1rios adjetivos. O companheiro se sentia mais seguro ao lado do \u201cquerido\u201d e do \u201cbon\u00edssimo\u201d; a coopera\u00e7\u00e3o era mais \u201ceficaz\u201d, se \u201cbrilhant\u00edssima\u201d e os confrades \u201ccontempor\u00e2neos\u201d eram \u201cconhecidos\u201d e \u201cilustres\u201d. N\u00e3o importa se o leitor fica sem conhecer a obra dos mencionados escritores e desconhecem em que consistia a bondade superlativa do doutor Vicente Reis. Era assim que se trabalhava a not\u00edcia, em Manaus, na \u00e9poca da borracha.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">A cidade, que se modernizava, aparecia nos jornais como \u201c<i>a formosa rainha do rio Negro\u201d<\/i>, cercada por \u201c<i>um jardim fluctuante de florestas perfumadas, inexploradas e virgens\u201d.\u00a0<\/i>Dados objetivos s\u00f3 em an\u00fancios e nos avisos oficiais. Um deles, da Pol\u00edcia Sanit\u00e1ria intimou o morador Joaquim Costa a \u201c<i>installar caixa de descarga no aparelho sanit\u00e1rio da sentina do pr\u00e9dio n\u00b0 38 da Rua Lima Bacury no prazo de 15 dias\u201d\u00a0<\/i>(n\u00b0 1329 de6\/12\/1907). Assim ficamos sabendo que uma casa da Lima Bacury era habitada por um \u2013 com todo respeito \u2013 cag\u00e3o, que n\u00e3o usava descarga e que o poder p\u00fablico fiscalizava o recesso do lar, invadindo privacidades.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Mas o\u00a0<i>Jornal do Comm\u00e9rcio<\/i>\u00a0de Vicente Reis n\u00e3o foi s\u00f3 adjetivo. Trouxe para o Amazonas, de modo pioneiro, o linotipo, sendo o terceiro jornal da Am\u00e9rica da Sul a incorporar tal inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Usou fotos quando muitos jornais nem pensavam nisso. Trouxe ainda a entrevista, usada como recurso jornal\u00edstico, na forma do discurso direto, aproximando o texto da narrativa oral. Para contar o que houve, o jornalista conta o que ouve.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/jc%20folhetim%20tripa.jpg?resize=164%2C607\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"607\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>O jornal publicou tamb\u00e9m mais de vinte folhetins entre 1907 e 1914, cujos cap\u00edtulos di\u00e1rios fizeram sucesso equivalente ao das atuais telenovelas da Globo. O folhetim acabou interferindo na constru\u00e7\u00e3o da not\u00edcia, que passou a ser relatada com outra linguagem, com uma vis\u00e3o romanceada da realidade que espetacularizava os fatos narrados, misturando informa\u00e7\u00e3o, melodrama e suspense.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><b><span style=\"text-decoration: underline;\">O burgo podre<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Isso que voc\u00ea acaba de ler \u00e9 apenas pequena amostra da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida por Priscila Ribeiro no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), nesta quinta-feira, 25 de junho, durante o jogo Alemanha x Estados Unidos. A mestranda leu edi\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, rastreou bibliografia atualizada sobre o tema e dialogou com outros trabalhos produzidos a partir da cria\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria da Imprensa no Amazonas (LHIA).<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Foi assim que ela analisou o<i>\u00a0Jornal do Commercio<\/i>\u00a0e discutiu sua contribui\u00e7\u00e3o para a modernidade em Manaus (1904-1914), vasculhando as entrelinhas, o texto jornal\u00edstico, o projeto gr\u00e1fico e o que havia por tr\u00e1s dos adjetivos.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">A imprensa desse per\u00edodo tinha tudo: s\u00f3 faltava a not\u00edcia. \u00c9 o que mostra a disserta\u00e7\u00e3o apoiada em fontes \u201cricas, fidedignas e reveladoras\u201d diria eu se estivesse contagiado pela\u00a0<i>adjetivite,<\/i>\u00a0uma doen\u00e7a textualmente transmiss\u00edvel.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">O excesso de adjetivos n\u00e3o impede, no entanto, que a modernidade fique de bubuia nas p\u00e1ginas do\u00a0<i>Jornal do Commercio<\/i>. L\u00e1 est\u00e3o as quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica com a cria\u00e7\u00e3o de novas escolas, o surgimento de livrarias, as novas formas de lazer, o teatro, os clubes, os caf\u00e9s, as pr\u00e1ticas esportivas, o advento do cinema, o lixo, o saneamento b\u00e1sico, a insalubridade dos corti\u00e7os e das vilas oper\u00e1rias, a moda, o corpo, o consumo, com o an\u00fancio de produtos como \u201ca nova geladeira americana White frost\u201d e as m\u00e1quinas de escrever.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Tudo isso foi observado pelo olhar atento da pesquisadora, agora mestra, da UFAM que registrou tamb\u00e9m o rugido do le\u00e3o nas p\u00e1ginas do jornal. Embora inexistente na floresta amaz\u00f4nica, a imagem do le\u00e3o foi usada para explicar a moderniza\u00e7\u00e3o da cidade:<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><i>\u201cEm pouco mais de uma d\u00e9cada de livre ac\u00e7\u00e3o, o burgo podre transformou-se num le\u00e3o do norte, no Estado ferac\u00edssimo que assombrou o paiz inteiro com a sua grandeza e exportou para a Europa e para a Am\u00e9rica a mais bela e a mais apreciada borracha do mundo\u201d<\/i>(n\u00b0 647, 18\/4\/1906)<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/JC%20moda%20au%20bon%20marche.png?resize=204%2C247\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"247\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>A autora discute ainda o papel pol\u00edtico do jornal e as rela\u00e7\u00f5es de poder no \u00e2mbito regional, o que me fez lembrar\u00a0<i>Esa\u00fa e Jac\u00f3\u00a0<\/i>do Machado de Assis<i>.\u00a0<\/i>L\u00e1, um portugu\u00eas de nome Cust\u00f3dio, dono de uma padaria no Catete, paga um profissional para fazer uma enorme placa com o nome colorido: CONFEITARIA DO IMP\u00c9RIO.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">Para azar do nosso bom portuga, a data da entrega da placa era 15 de novembro de 1889. Com a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica naquele dia, o comerciante luso hesita em instalar aquela placa, o que poderia soar como provoca\u00e7\u00e3o para os inimigos da monarquia, autores de quebra-quebra na cidade. O portuga, com medo de sofrer repres\u00e1lias, procura o conselheiro Aires, com quem dialoga.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">O conselheiro Aires lhe sugere mandar fazer outra placa: CONFEITARIA DA REP\u00daBLICA. O portuga, avarento, alega que teria duplo preju\u00edzo caso \u00a0houvesse uma reviravolta e o Imperador retornasse ao poder. Aires aconselha, finalmente, um terceiro nome para o estabelecimento, que servia para qualquer regime: CONFEITARIA DO GOVERNO. Eis a\u00ed o lema de Berinho, o Rob\u00e9rio Braga, sempiterno secret\u00e1rio da Cultura.\u00a0<i>Hay gobierno? Soy a favor<\/i>.<\/div>\n<div style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">\u00c9 isso a\u00ed. A imprensa da \u00e9poca era confeitaria do governo, acostumada a usar adjetivos mortais. E hoje?<\/div>\n<p style=\"font-weight: normal; color: #000000;\">P.S.- Priscila Daniele Tavares Ribeiro.\u00a0<i>Jornal do Commercio: construtor e art\u00edfice da modernidade em Manaus (1904-1914).\u00a0<\/i>Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria. UFAM. \u00a0Banca: Maria Luiza Ugarte Pinheiro (orientadora), Almir Diniz de Carvalho Junior e Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire. A autora estuda a mudan\u00e7a do t\u00edtulo definitivo para:\u00a0<i>De burgo podre a le\u00e3o do norte \u2013 o Jornal do Commercio e a modernidade em Manaus (1904-1914). \u00a0<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu amigo Jos\u00e9 Bessa escreve semanalmente no Di\u00e1rio do Amazonas uma coluna intitulada TAQUI PRA TI. \u00c9 uma t\u00edpica express\u00e3o amazonense, acompanhada do gesto t\u00edpico de mandar uma &#8220;banana&#8221; para quem ouve. 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