{"id":242,"date":"2014-11-23T22:57:13","date_gmt":"2014-11-24T01:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=242"},"modified":"2014-11-23T22:57:36","modified_gmt":"2014-11-24T01:57:36","slug":"glotocidio-glotocronologia-e-alguns-outros-blas-blas-blas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=242","title":{"rendered":"Glotoc\u00eddio, glotocronologia e alguns outros bl\u00e1s bl\u00e1s bl\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>Quando estudava Antropologia na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, Peru (a universidade mais antiga das Am\u00e9ricas, porque os espanh\u00f3is foram mais cru\u00e9is, mas menos est\u00fapidos que os portugueses e criaram v\u00e1rias universidades por aqui), tive aulas com um linguista, Alfredo Torero, que ensinou algumas coias memor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Torero, ali\u00e1s, era um personagem. Sofria de uma rara doen\u00e7a neurol\u00f3gica, que o impedia de sentir dor. A dor, esse fen\u00f4meno desagrad\u00e1vel, \u00e9 um sinal de alarme emitido por nosso organismo, informando que alguma coisa vai mal em nosso corpo &#8211; ou com o nosso corpo -, como \u00e9 o caso da tortura, \u00e0 qual Torero tamb\u00e9m foi submetido. O professor Torero foi um pioneiro na lingu\u00edstica qu\u00e9chua em geral, e a lingu\u00edstica andina em particular.<\/p>\n<p>Uma das coisas que aprendi com Torero foi o funcionamento de glotocronologia. \u00c9 uma ci\u00eancia quase esot\u00e9rica, mas important\u00edssima. \u00c9 a arqueologia da separa\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas. A cada mil anos sup\u00f5e-se que 14% das palavras b\u00e1sicas de uma l\u00edngua sofrem modifica\u00e7\u00f5es fon\u00e9ticas, e a estat\u00edstica comparando universos fon\u00e9tico-vocabulares de dois idiomas aparentados pode estimar o momento da separa\u00e7\u00e3o desses dois a partir de um tronco comum. Evidentemente n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia perfeita, mas uma pista important\u00edssima para conhecer a evolu\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias l\u00ednguisticas, a partir dos diferentes idiomas atualmente existentes dessa fam\u00edlia.<\/p>\n<p>As aulas do Torero &#8211; que morreu no ex\u00edlio depois que foi acusado pela pol\u00edcia peruana de ser simpatizando do Sendero Luminoso &#8211; me vieram \u00e1 mente quando li a coluna do meu amigo Jos\u00e9 Bessa essa semana, no <a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1116');\"  href=\"http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=1116\" target=\"_blank\">Taquiprati.<\/a>\u00a0Bessa relata recente discuss\u00e3o sobre o ritmo do glotoc\u00eddio que ocorre mundialmente. As l\u00ednguas morrem, quando o pen\u00faltimo falante desse idioma morre, pois este n\u00e3o tem mais com quem conversar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fen\u00f4meno social, cultural e pol\u00edtico da morte dos idiomas, o glotoc\u00eddio dificulta ainda mais as pesquisas em busca da ur-linguagem, aquela tal l\u00edngua original dos primeiros homens.<\/p>\n<p>Mas, \u00e9 melhor deixar o Bessa contar a hist\u00f3ria de vez.<\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg');\"  href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=640%2C113\" alt=\"Taquiprati\" width=\"640\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?w=779 779w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=300%2C53 300w, https:\/\/i0.wp.com\/www.zagaia.blog.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Taquiprati.jpg?resize=500%2C88 500w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"TituloMateriaPrincipal\">CORTEM A L\u00cdNGUA DELES<\/div>\n<div class=\"TituloTopo\">Jos\u00e9 Ribamar Bessa Freire<\/div>\n<div class=\"TituloTopo\">23\/11\/2014 &#8211; Di\u00e1rio do Amazonas<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/lingua%20cortada.jpg?resize=497%2C383\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"383\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>A cada quinze dias acontece uma morte. Dizem que cortam a l\u00edngua da v\u00edtima com requintes de crueldade. O cad\u00e1ver desaparece misteriosamente sem deixar vest\u00edgio. Daqui at\u00e9 o natal haver\u00e1 mais dois assassinatos em algum lugar do mundo, segundo previs\u00e3o do investigador irland\u00eas David Crystal, que busca pistas para explicar tantos crimes. Nenhum organismo policial, nacional ou estrangeiro, identificou at\u00e9 hoje os assassinos. Um semin\u00e1rio realizado em Foz do Igua\u00e7u (PR), nesta semana, reuniu autoridades e especialistas da Am\u00e9rica Latina para discutir, entre outras quest\u00f5es, como evitar essas mortes consideradas crime contra\u00a0 a humanidade.<\/div>\n<div>Parece que os assassinos se inspiram em Genghis Khan que no s\u00e9c. XIII, de forma indulgente, poupava a vida dos prisioneiros de guerra a quem deixava retornar em liberdade \u00e0s suas casas. No entanto, para impedir que batessem com a l\u00edngua nos dentes e passassem informa\u00e7\u00f5es ao inimigo, cortava suas l\u00ednguas. Da\u00ed a origem do prov\u00e9rbio mongol:<\/div>\n<div>\u00a0 &#8211; Quem tem l\u00edngua cortada n\u00e3o fala.<\/div>\n<div>A mutila\u00e7\u00e3o praticada pelo ex\u00e9rcito mongol continua sendo feita simbolicamente no planeta. O crime \u00e9 justamente esse: o glotoc\u00eddio. A cada quinze dias morre o ultimo falante de uma das 6.700 l\u00ednguas faladas atualmente em 193 pa\u00edses. Com ele desaparece para sempre mais uma l\u00edngua.<\/div>\n<div>Com o objetivo de criar estrat\u00e9gias para fortalecer as l\u00ednguas amea\u00e7adas na Am\u00e9rica Latina, o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN) e o Minist\u00e9rio da Cultura organizaram nesta semana, de 17 a 20 de novembro, em Foz do Igua\u00e7u, um encontro de autoridades e de alteridades no Semin\u00e1rio Ibero-americano da Diversidade Lingu\u00edstica, que reuniu mais de 400 pessoas comprometidas com a luta pelos direitos lingu\u00edsticos das minorias. Participaram dos debates linguistas, historiadores, antrop\u00f3logos, falantes de l\u00ednguas ind\u00edgenas e de l\u00ednguas minorit\u00e1rias de migra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da L\u00edngua Brasileira de Sinais (LIBRAS).<\/div>\n<div>Durante o evento foi entregue o certificado das<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/guarani%20diploma%20lingua%20iphan.jpg?resize=494%2C380\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"380\" align=\"right\" data-recalc-dims=\"1\" \/> tr\u00eas primeiras l\u00ednguas reconhecidas como refer\u00eancia cultural brasileira pelo IPHAN: o guarani &#8211; que \u00e9 falado tamb\u00e9m em outros pa\u00edses do Mercosul, o Assurini do Trocar\u00e1 &#8211; l\u00edngua falada nas margens do rio Tocantins (PA) e que quase desaparece afogada na hidroel\u00e9trica de Tucurui e o Tali\u00e1n &#8211; vinda com os migrantes do norte da It\u00e1lia e que hoje \u00e9 falada no sul do Brasil. Essas tr\u00eas l\u00ednguas, depois de terem sido cuidadosamente documentadas, fazem parte agora do Invent\u00e1rio Nacional da Diversidade Lingu\u00edstica (INDL).<\/div>\n<div><b>L\u00ednguas minorizadas<\/b><\/div>\n<div>O reconhecimento de uma l\u00edngua como refer\u00eancia cultural requer que ela seja falada em territ\u00f3rio brasileiro h\u00e1 pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es e que seus falantes solicitem ao IPHAN o pedido de inclus\u00e3o no INDL, que \u00e9 ent\u00e3o analisado por uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica interministerial. Esse caminho pode ser seguido por mais de 300 l\u00ednguas faladas no Brasil, entre elas as l\u00ednguas ind\u00edgenas que s\u00e3o aut\u00f3ctones e est\u00e3o aqui enraizadas e as l\u00ednguas al\u00f3ctones que vieram para o Brasil trazidas por migrantes. Das l\u00ednguas ind\u00edgenas apenas 11 t\u00eam acima de cinco mil falantes, o que significa que a maioria corre s\u00e9rio risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>Essas l\u00ednguas chamadas <b>minorit\u00e1rias<\/b> foram <b>minorizadas <\/b>no processo hist\u00f3rico, ficando com n\u00famero reduzido de falantes: apenas 5% da popula\u00e7\u00e3o do planeta. No entanto, elas constituem maioria expressiva se considerarmos <b><span style=\"text-decoration: underline;\">a quantidade de l\u00ednguas<\/span><\/b> faladas no mundo inteiro por tais minorias, que representam 95% das l\u00ednguas existentes no Atlas Lingu\u00edstico Mundial, 15% das quais em continente americano. Portanto, os direitos lingu\u00edsticos reivindicados se referem a uma\u00a0<b>minoria de falantes<\/b>, mas tamb\u00e9m \u00e0 <b>maioria das l\u00ednguas<\/b> existentes no mundo que garantem a manuten\u00e7\u00e3o da glotodiversidade.<\/div>\n<div>O que \u00e9, afinal, que se quer com a defesa da diversidade lingu\u00edstica? J\u00e1 seria plenamente justific\u00e1vel lutar exclusivamente pelos direitos leg\u00edtimos das minorias de continuarem pensando, cantando, amando, narrando, trabalhando e sonhando em suas l\u00ednguas, mas essa luta ganha for\u00e7a quando sabemos que ela inclui a sobreviv\u00eancia das pr\u00f3prias l\u00ednguas, que s\u00f3 seus falantes podem garantir. Muitas esp\u00e9cies vivas de plantas e de animais que est\u00e3o em perigo s\u00e3o conhecidas apenas por determinados povos cujas l\u00ednguas &#8211; que produziram e armazenam tais conhecimentos &#8211; s\u00e3o consideradas moribundas e est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>O linguista Aryon Rodrigues, depois de esbo\u00e7ar um panorama das l\u00ednguas ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, concluiu que nelas se encontram fen\u00f4menos fon\u00e9ticos, gramaticais, de constru\u00e7\u00e3o do discurso e de uso das l\u00ednguas, que n\u00e3o se encontram em l\u00ednguas de outras partes do mundo. Da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o de mant\u00ea-las vivas. Essas l\u00ednguas constituem, junto com o material arqueol\u00f3gico dispon\u00edvel, as pistas que melhor nos informam sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio americano, datas e movimentos migrat\u00f3rios.<\/div>\n<div>A sobreviv\u00eancia das l\u00ednguas ditas minorit\u00e1rias interessa, portanto, n\u00e3o apenas aos seus falantes, mas ao conjunto da humanidade, pois est\u00e1 relacionada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. A diversidade lingu\u00edstica se torna assim t\u00e3o vital para a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana quanto \u00e0 diversidade biol\u00f3gica.<\/div>\n<div><b>O glotoc\u00eddio<\/b><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/lingua_thumb.jpg?resize=304%2C285\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"285\" align=\"left\" data-recalc-dims=\"1\" \/>Segundo David Crystal em seu livro &#8220;<i>A revolu\u00e7\u00e3o da linguagem\u201d<\/i> hoje, no planeta, ainda s\u00e3o faladas 6.700 l\u00ednguas, mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica, porque em m\u00e9dia, uma l\u00edngua desaparece a cada duas semanas. L\u00ednguas morrem, o que \u00e9 natural. O preocupante, para ele, \u00e9 a velocidade da perda que est\u00e1 se fazendo sem precedentes na hist\u00f3ria escrita, decretando morte prematura, um glotoc\u00eddio anunciado.<\/div>\n<div><i>&#8211; Uma l\u00edngua come\u00e7a a desaparecer quando seus falantes s\u00e3o expulsos de suas terras ou quando a comunidade, por essa e por outras raz\u00f5es, perde o desejo de preserv\u00e1-la\u201d<\/i> diz Crystal, para quem &#8220;<i>se uma l\u00edngua que nunca foi documentada morre, \u00e9 como se jamais tivesse existido, porque n\u00e3o deixa qualquer vest\u00edgio. E uma l\u00edngua morre<\/i> &#8211; diz ele &#8211; <i>quando o pen\u00faltimo falante desaparece, pois ent\u00e3o o \u00faltimo j\u00e1 n\u00e3o tem mais ningu\u00e9m com quem conversar\u201d.<\/i><\/div>\n<div>No semin\u00e1rio foi lembrado o drama recente de dois \u00edndios. Um deles &#8211; Tikuein &#8211; \u00a0\u00fanico falante da l\u00edngua Xet\u00e1, vivia na aldeia S\u00e3o Jer\u00f4nimo, norte do Paran\u00e1 com \u00edndios Kaingang e Guarani. Como estrat\u00e9gia para manter a l\u00edngua viva, ele falava com o espelho e algumas vezes, caminhando pela aldeia, com um interlocutor fict\u00edcio.<\/div>\n<div>O outro caso foi registrado em 1978 por Zelito Viana no filme <i>Terra de \u00cdndio<\/i>. Ele gravou dona Maria Rosa que vivia no Posto Ind\u00edgena Icatu (SP) e era ali a \u00fanica falante da l\u00edngua Ofai\u00e9 Xavante. Quando a fez escutar o que ela mesma havia dito, dona Maria Rosa estabeleceu um \u00a0di\u00e1logo com o gravador, a quem perguntou por seu pai, por sua m\u00e3e e no final se despediu do aparelho dizendo: &#8220;At\u00e9 logo, agora n\u00e3o falo mais porque estou rouca, viu?&#8221;.<\/div>\n<div>A extin\u00e7\u00e3o \u00e9 um risco permanente para as l\u00ednguas minorit\u00e1rias, principalmente as ind\u00edgenas, devido ao reduzido n\u00famero de falantes e ao uso social restrito. N\u00e3o existe literatura escrita nessas l\u00ednguas, nem espa\u00e7o na m\u00eddia. Em cinco s\u00e9culos, nessas condi\u00e7\u00f5es, mais de 1.100 l\u00ednguas ind\u00edgenas desapareceram do mapa do Brasil e outras tantas do continente americano, levando com elas conhecimentos, cantos, rezas, narrativas, poesia, mitos, afetos.<\/div>\n<div>O jesu\u00edta Jo\u00e3o Daniel, no seu &#8220;Tesouro Descoberto do Rio das Amazonas&#8221;, com distanciamento cr\u00edtico, conta como um mission\u00e1rio espancou uma \u00edndia do Maraj\u00f3 com bolos de palmat\u00f3ria dizendo: &#8220;S\u00f3 paro de bater quando voc\u00ea disser &#8220;basta&#8221;, mas n\u00e3o na tua l\u00edngua&#8221;. Ela calou. Suas m\u00e3os sangraram. Ele concluiu que as mulheres &#8211; a quem talvez o mundo deva a preserva\u00e7\u00e3o de muitas l\u00ednguas &#8211; eram mais resistentes que os homens, que migravam de uma l\u00edngua a outra com mais frequ\u00eancia. Desta forma, centenas e centenas de l\u00ednguas foram extirpadas a ferro e fogo.<\/div>\n<div><b>Invent\u00e1rio de L\u00ednguas<\/b><\/div>\n<div><b><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.taquiprati.com.br\/images\/Guarani%20tx%20diploma(1).jpg?resize=608%2C364\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"364\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/b><\/div>\n<div>O Invent\u00e1rio Nacional da Diversidade Lingu\u00edstica Brasileira (INDL) criado por Decreto Federal de 2010 tem o objetivo de conhecer e fortalecer as l\u00ednguas minorit\u00e1rias. Ele dialoga com a Carta Europeia sobre as L\u00ednguas Regionais ou Minorit\u00e1rias (1992) e a Declara\u00e7\u00e3o Universal para a Promo\u00e7\u00e3o da Diversidade Cultural \u2013 Unesco (2005), al\u00e9m da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Lingu\u00edsticos (1996) de Barcelona, que surgiu das comunidades lingu\u00edsticas e n\u00e3o dos Estados nacionais.<\/div>\n<div>No Brasil, existem v\u00e1rios projetos destinados a identificar, documentar, reconhecer\u00a0 e valorizar as l\u00ednguas portadoras de refer\u00eancia \u00e0 identidade como o PRODOCLIN, do Museu do \u00cdndio, que documentou cerca de 20 l\u00ednguas e culturas ind\u00edgenas e projetos do Museu Goeldi e do Laborat\u00f3rio de L\u00ednguas da UnB, entre outros.<\/div>\n<div>Reconhecer essas l\u00ednguas n\u00e3o \u00e9 simplesmente aceitar formalmente a sua exist\u00eancia, mas consider\u00e1-las parte da nossa hist\u00f3ria. Como escreveu Bartolomeu Meli\u00e1, que fez a confer\u00eancia final, &#8220;a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de suas l\u00ednguas, que temos de lamentar quando j\u00e1 mortas, que temos de visitar e cuidar quando doentes, que podemos celebrar com alegres cantos de vida quando faladas&#8221;.<\/div>\n<div>P.S. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o semin\u00e1rio ver:<\/div>\n<div>https:\/\/www.facebook.com\/580632275396873\/photos\/a.598022100324557.1073741828.580632275396873\/611702805623153\/?type=1&amp;theater<\/div>\n<div>Mais detalhes sobre o homem que falava com o espelho em\u00a0http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=21<\/div>\n<div>Para n\u00e3o falar com o espelho ver:<\/div>\n<div>\u00a0http:\/\/www.taquiprati.com.br\/cronica.php?ident=876<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando estudava Antropologia na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, Peru (a universidade mais antiga das Am\u00e9ricas, porque os espanh\u00f3is foram mais cru\u00e9is, mas menos est\u00fapidos que os portugueses e criaram v\u00e1rias universidades por aqui), tive aulas com &hellip; <a href=\"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/?p=242\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[81,126,125,80],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4Lc9A-3U","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/242"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=242"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":245,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/245"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.zagaia.blog.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}